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Igualdade

Por Hélder Oliveira Coelho

Abro esta nova época sob signo da lealdade! Nos dias que correm, não se sabe o significado desta palavra! Outra palavra que se gasta muito, sabe Deus em que sentidos, é igualdade.

O que as pessoas, de modo geral, reclamam para si como igual é nada mais do que um incentivo à discriminação. À igualdade atribui-se como sinónimo unanimíssimo: massificação, normalização, etc., etc.. Em suma, a esperteza saloia de uns quantos fez com que se pudesse pensar que era na ausência de diferença que valorizaríamos a igualdade. O meu profundo bem-haja aos velhos do Restelo do socialismo revolucionário! A eles devemos esta barbaridade. Darei dois exemplos concretos.

Imagine-se um aluno liceal que até é um bom orador e, por essa razão, tem facilidade em expressar o que sabe por essa via. Imaginemos um outro que é uma nódoa a falar, mas que escreve relativamente bem. Vamos avaliar a turma. A igualdade é: teste escrito igual para todos. Correcto!

Todavia, o aluno com facilidade na prova oral não terá as mesmas condições para mostrar o que sabe; já o aluno da prova escrita estará sobrevalorizado.

O que mostra este exemplo?

A oportunidade! A avaliação passaria a ser efectivamente igual, se permitisse que cada um, dentro do que são as suas características pessoais, mostrasse no que de facto é bom e fosse valorizado por isso.

Imagine-se agora que, por obra do destino, todos ficávamos descalços. Vê-se a necessidade de fazer sair a lei que diga: todos têm direito a andar calçados. O que hoje se defende, é que todos calcemos o Sapato X ou Y. Ninguém se indaga que o problema está no direito a ter sapato e andar calçado, não no modelo do sapato. Se eu tenho dinheiro para um sapato de grife, se eu gosto da sapatilha mais avant garde, deixem-me calçá-las! Por outro lado, se alguém não pode ou não tem, o que o espírito solidário cristão deve garantir é que ande calçado!

Afirmo, portanto, que o que verdadeiramente importa no conceito de igualdade é a oportunidade. A igualdade deve colocar-se no plano das oportunidades, não nos procedimentos em si.

Enquanto este paradigma não se alterar, dificilmente Portugal seguirá a bom porto.

Voltando agora à lealdade. Em tempos, uma amiga disse poucas e boas a meu respeito. A mãe, como zelosa protectora, perguntou-me como poderia eu chamar de amiga a quem me disse tais coisas. Eu respondi: é leal! Fiquei triste, pois com certeza, mas poderia eu não contar com a amizade de quem me diz o que pensa [1], mesmo não correspondendo à realidade?! O tempo acabou por mostrar que ela não estava certa e eu mantive uma leal amiga.

O conceito que se faz de quem nos é leal está em regra profundamente errado! Leal é o que coloca a verdade e os valores éticos acima de tudo. Não o que me diz «sim» a tudo! Duvidem sempre de quem vos diz «sim» a tudo! Duvidem sempre do sorriso afável a todo o instante.

O ser humano tem uma tendência natural para lidar melhor com quem lhe traz conforto ao ego. É tão mais saboroso ouvir que somos maravilhosos, do que nos apontem alguns defeitos!

Perguntarão o porquê desta reflexão. A resposta é simples. Não é fácil, mas é simples. A crise de valores da nossa sociedade, onde assenta esta crise económica, tem como dois dos seus principais pilares a errada percepção do que são a igualdade e a lealdade.

Termino a minha crónica de hoje muito ao estilo do cronista-mor da nossa praça: Marcelo Rebelo de Sousa. Deixo portanto notas positivas: as tertúlias que a Rádio Altitude [2] tem vindo a organizar; a programação do TMG [3], que tem trazido o que há de melhor à Guarda; o Politécnico da Guarda, que viu o trabalho de alguns dos seus professores ser recentemente premiado; o PSD, que finalmente parece ver-se livre do Padrinho! E deixo o meu sentido pesar à autarquia porque a sua governação deve ter-se eclipsado. Continuo sem dar pela existência.

Votos de um bom fim-de-semana.

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