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O 5 de Outubro e as Miley Cyrus desta vida

Por Hélder Oliveira Coelho

Antes de iniciar esta crónica, cabe-me fazer uma nota introdutória para todos os que têm o nefasto hábito de me ler e/ou escutar. Segue-se uma crónica ao nível de um qualquer Cláudio Ramos [1] dos programas da manhã. Aos que esperam algum laivo de elevação, cultura, intelectualidade, por favor, passem já ao cronista seguinte. Bem-hajam!

O governo da República mandou fechar o feriado [2]. Calha bem! Eu sou dos que acha que todos e quaisquer feriados que se tenham feito valer nas repúblicas são para declarar insolventes e fechar. O governo da República deve obviamente saber que o País que governa tem mais do que cem anos de História. Mas ainda assim, recordo aos que têm memória consumível e degradável que já em 1143 havia Portugal (para desgosto de muito boa gente, ¿es eso cierto?). Mas também é certo que mais quatro dias de trabalho não vão tirar esta nação da crise! É isso e as cinco horas a mais nos funcionários públicos [3]! Trabalhem, seus malandros!!!! Ou então… concorram à Casa dos Segredos!

Lá dizia a outra no fado: «ai que saudades eu tenho de ter saudades» [4]. Saudades de badalhocas (para quem não sabe, fica a informação de que eu adoro a palavra «badalhoca», que deveria ser promovida de insulto a elogio). Saudade de brutos iletrados, sedentos de bom sexo, em público, ou apenas de sexo em público, porque não tem que ser bom. Basta ser com uma badalhoca e em público. O sonho de programa para qualquer família de bem.

Para mim, desde que a Hannah Montana passou a esfregar-se nas pernas dos amigos [5], como qualquer gata no cio, à espera de marcar território e atiçar a garotada a um universo porno-erotico-idílico… Transportar-nos para a orgia entre a Branca de Neve e os anões, ou as valentes aplicações de coito com fins recreativos e não procriativos que a Bela estabeleceu com o Monstro, tudo em nome de um certo fascínio pela arte, claro está! O amor ao talento, ao esforço, ao trabalho. O respeito pelas Artes acima de tudo! Tudo pela arte, nada contra a arte!

Fica bem aos homens de Estado participar nestas fabulosas criações da comunicação social. Vai daí, há ministros que passam a comentadores e comentadores que se substituem a ministros. Os partidos fingem que nos respeitam e nós fingimos que acreditamos neles. Ao Domingo, transformamo-nos em alternadeiras ideológicas e vamos também nós estabelecer o coito moral com a TV. Esse auge de fornicação prazenteiro que são os reality shows, depois do preservativo asséptico que é a crónica do Eng. Doutor Sócrates [6]. E viva a democracia partidária!

Pois eu quero mais… Quero muito mais! Quero cavalos e bestialismo. Quero sadomasoquismo e travestismo. Quero todos os ismos a que tenho direito com meu voto! Quero um programa dedicado ao nosso chefe de Estado e à sua família… Que prazer será ouvir o Sr. Eduardo dos Santos e a sua pequena Princesa Isabel. Felizmente, temos Windeck [7] para matar a saudade. Quero a nossa primeira-ministra no parlamento pelo menos uma vez por mês! Que ideia é essa de ter a Ângela só a discursar em Berlim??!!

É disto que temos vivido? Onde está a Nação de Afonso Henriques? Onde estão Camões e Vieira, Garrett e Herculano, Eça e Pessoa? Onde estão Ribeiro Sanches e Egas Moniz? Onde está Portugal?!

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