Categorias
Dias Passados

O elevador da vida

Por Gustavo Martins-Coelho

Gosto muito do João Sebastião Ribeiro. E gosto de sentir aquele friozinho na barriga, quando o elevador pára no andar certo. Ou no errado. Desde que não pare entre dois andares! Desde criança que também gosto de ver o mecanismo do elevador do Bom Jesus a funcionar. Embora só se vejam sombras.

Não devemos prescindir dos nossos sonhos a favor do convencional e do convencionado. Será que o John Lennon e o Paul McCartney estavam conscientes de que a semana só tem sete dias quando escreveram a canção «Eight days a week»? E se os trolhas começassem a gritar lá de cima dos andaimes: «oh! esbelta! copulava com a totalidade da tua pessoa!», em vez do tradicional: «oh! boa! comia-te toda!»?

As mulheres, quando querem, sabem ser bem cruéis.

— Parabéns, Ambrósio; lês sempre os meus pensamentos.

Tendo em conta que a senhora sempre comeu Ferrero Rocher, o Ambrósio não precisa de puxar muito pela mona e muito menos de possuir dotes telepáticos ou clarividentes para adivinhar que a estratégia chocolateira irá continuar a produzir frutos. Pelo menos, enquanto a agência publicitária pagar os honorários a tempo e horas.

A vida é injusta e eu sou um desgraçado! Às vezes gostava de que fosse a preto e branco. Ter de decidir entre tons de cinzento é muito complicado. É tudo muito bonito, mas eu não percebo nada. Não há interpretações certas e erradas, há interpretações possíveis. Isso é o que torna a vida e a arte belas e terríveis ao mesmo tempo.

4 comentários a “O elevador da vida”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *