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Feudos e fugas

Por Hélder Oliveira Coelho

Todos sonham com o seu pequeno feudo… Ser conde, barão, se possível conde-barão ou marquês!

Cada vez mais me convenço de que este País é ingovernável. Tudo é complicado, tudo é difícil! Dão-se dez reis de poder a qualquer tonto e temos tudo para a criação de um feudo hermético e bafiento. E tão mais impenetrável quanto mais tonto o seu senhor!

Olhe-se, por exemplo, para o nosso panorama legal. Nada mais incompreensível do que a língua de jurista! Ninguém os entende. Falam num qualquer dialecto obscuro! É possível, no mesmo parágrafo, encontrar algo que, de tão vago, é completamente inútil! É plausível ser entendido um facto e o seu contrário. As leis da lógica fazem tanto sentido no dialecto jurídico como as boas intenções dos manos Metralha face à caixa-forte do Tio Patinhas.

É evidente que nada direi a propósito dos senhores deputados que legislam neste País… Os redactores desta língua maquiavélica… Quantas vezes me indago se ao serviço da Nação, se ao serviço dos interesses corporativos dos clientes desta e daquela sociedade de advogados.

Enfim… É um problema que deixou de me preocupar. Devemos ocupar-nos com o que nos é possível mudar. Gostaria de que o meu Estado tivesse nas suas diferentes dimensões uma curta noção de micro e macro gestão. Não andasse a roubar-se a si mesmo, por exemplo. Todos conhecem exemplos disso.

Voltando aos feudos… No dia em que algumas cabeças rolarem, o País andará a velocidade cruzeiro. O nosso cancro está na Justiça. Mas há uma nova maleita que nos consome. A fuga de cérebros, gente bem formada, inteligente, trabalhadora e capaz, que, dia após dia, se vai cansando da estupidez colectiva. A cada hora que passa, há mais uma mente brilhante que se ausenta do Rectângulo porque se cansa da sopa medíocre e quotidiana.

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