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Resmas de chineses!

Por Hélder Oliveira Coelho

O mundo é uma pequena aldeia. É certo. Também é sabido que ,entre os verdadeiros inventores do conceito de globalização e comércio global, está a Ínclita Geração [1]. Cabe, portanto, a uma casa real Portuguesa o quebrar de fronteiras para um mundo mais pequeno. Até aqui, está tudo muito bem. Outro conceito que cabe na primeira oração desta crónica é o facto de, onde quer que nos desloquemos, sabe Deus quantas vezes com grande vontade de que o façamos da forma mais discreta possível, encontramos sempre um português!

Faço o meu acto de contrição ao pequeno provincianismo que me habita o espírito. Sempre que estou fora de Portugal, mesmo que seja já na vizinha Espanha (vizinha única, como se sabe; é aquele pleonasmo que fica sempre bem), sinto aquela incomensurável felicidade quando escuto alguém falar a Língua de Camões. Estou fora há duas horas, mas é como se fosse sempre há dois séculos. Ouve-se uma entoação lusa, rasga-se um sorriso e segue-se um cumprimento fraterno, uma amizade para a vida.

Feitas as considerações afáveis, boazinhas, quase românticas, segue-se o derradeiro busílis desta crónica. Os chineses! Se é verdade que há um português em cada esquina, há cem chineses em proporção igual de esquinas (não confundir com a clássica profissão de esquina, não raras vezes ocupada por gente de quaisquer nacionalidades)! Eles são resmas, paletes, outsourcings, upstreamings, very-lights de chineses. Copiam tudo, vendem tudo, cheiram a borracha de má qualidade. E quem lhes ensinou o caminho para aqui?! Ah pois… Enquanto foram só os indianos, por mim tudo bem. Eu até gosto. São um povo afável, chato com a história das flores e tal, mas afável. Exceptuando o cheiro a chamuça (ainda assim muito melhor do que o plástico chinês), até é gente simpática! Chatos, mas simpáticos. Agora, os chineses, nem isso!!! Penetraram-nos com um porco doce ou um pato à Pequim, depois fomos engolidos pelos grandes bazares, agora, são donos da EDP, e sei lá mais o quê! Não tarda, aliás, já tardava, são donos da filosofia de acção sob a lei do trabalho. Quanto mais, melhor, ganhando o menos possível, sob as piores condições! É disto que tanto se enamora a Europa e Portugal em concreto também (sim, eu sei que não parece, mas ainda estamos na Europa).

Não se veja esta como uma declaração racista! Nada disso… (A quem espera a clássica oração de todos os racistas: «eu até tenho amigos chineses, nada contra, mas…» desenganem-se, eu não a vou dizer! Até porque não tenho, nem quero ter amigos chineses! Excepto se forem ricos e proporcionarem bom negócio para o meu lado! Aí, até as minhas cuecas lhes vendo!!!) Esta é sem dúvida uma crónica xenófoba! Não racista, mas profundamente xenófoba! Eu detesto Portugueses!!! Sim, esse povo malvado, que, tendo tanta coisa para dar ao mundo, foi logo ensinar o caminho marítimo para a Índia! Criámos um monstro e demos a clássica lição de «como chegar à Europa via mar». Em última análise, a culpa é toda nossa!

P.S.: Esta terá sido a crónica com mais «aindas», mais parênteses, mais pleonasmos, repetições e preconceitos que me lembro ter escrito! Vai daí, até eu estou a caminhar para a chinesice! Uma cópia rasca do original, carregado de muito maus acabamentos.

2 comentários a “Resmas de chineses!”

[…] Assim sendo, com algum atraso (já vamos na centésima sétima publicação, excluindo os editoriais), assinalo com regozijo que coube ao Hélder a honra de completar o centésimo artigo desde a criação deste blogue, em Agosto de 2012, cheio de «aindas», parênteses, pleonasmos, repetições e preconceitos. […]

[…] Houve tempos em que ser velho era quase uma cátedra. Eram amados, respeitados, as famílias quase se digladiavam para reclamar pelo direito de cuidar do seu próprio Velho. Hoje, o velho é um estorvo, um incómodo, sorvedouro de cuidados e de dinheiro. Esses seres inúteis que vivem dos nossos descontos para a segurança social. Em suma, devíamos todos odiar os velhos, como a Mafalda odiava a sopa e eu odeio chineses. […]

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