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Café em chávena escaldada

Por Gustavo Martins-Coelho

Não há raças, apenas culturas. Mas certas culturas são superiores a outras. Quando vejo certas coisas, sinto um desprezo profundo pela espécie humana. Pior do que estar entregue à bicharada, é estar entregue à leitura do Destak [1].

Eu não gosto de que as coisas ou as pessoas me falhem, mas parece que é isso que elas mais gostam de fazer. Mas não interessa tanto se agiu bem ou mal. Interessa mais se é meu amigo ou não. Pergunto-me como reagirias se soubesses que sei, como soube, e a opinião de quem me contou. Às vezes, sabemos, mas não sabemos que sabemos.

Se não procuraste, nem queres procurar, como podes dizer que é difícil encontrar? Não é justo! A teoria de cordas requer tanta fé como acreditar que Deus existe. Diz que Ele, quando fecha uma porta, abre sempre uma janela. Mas ninguém disse que, por vezes, a janela pode ser mais larga do que a porta.

Um dia, sai-nos um osso no croquete. Ou entala-se-nos uma espinha no gorgomilo. Um dia, chegas ao teu restaurante preferido e está fechado. Pode tardar, mas não falha.

Enquanto as decisões forem tomadas à volta da mesa do restaurante e não à volta da mesa do escritório, é óbvio que este País não anda para a frente.

Enquanto os automobilistas virem os ciclistas como peões irrequietos (e os ciclistas se comportarem como tal), a convivência será difícil.

Enquanto a caixa multibanco der notas de cinco euros a quem quer levantar vinte, vai ter falta de notas de cinco para dar a quem só quiser esse montante.

Hoje vi o Gato das Botas de sapatilhas. Ironias da vida…

O que levou alguém, um dia, a pensar que, por algum motivo imponderável, o café saberia melhor, se a chávena fosse previamente aquecida com água a ferver; e o que levou esse alguém a ter coragem de pôr a sua ideia em prática? E por que lhe chamaram «café em chávena escaldada»?

3 comentários a “Café em chávena escaldada”

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