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O Muro das Lamentações

O Amor ainda existe

Por Ana Raimundo Santos [a]

Prólogo

Este artigo não é um texto lamechas! Ou talvez seja… Quem o ler que julgue por si!


Por vezes, a vida surpreende-nos quando menos esperamos, e da forma mais inusitada. Há pouco tempo acordei, em simultâneo de manhã e para a vida, e percebi que estou num estado «not in love» generalizado e fiquei em choque. Apercebi-me de que não me recordo da última vez em que me senti assim: de coração e alma livres de amor romântico e/ou tristezas a ele associadas. Passado o choque inicial, respirei fundo e sorri. Não estava à espera de me sentir tão bem por me sentir assim.

A verdade é que somos educados para ir concretizando determinados objetivos ao longo da vida e ir queimando etapas: primeiro a escola, depois a faculdade, de seguida o emprego e o namoro, mais tarde o casamento e os filhos. No entanto, nós, os que agora estamos a entrar na década dos trinta, apesar de termos cumprido já uma parte importante dos objetivos que, aparentemente, nos estavam predestinados, damo-nos conta de que, se a nível profissional a coisa se encontra mais ou menos encaminhada, a nível pessoal a porca torce o rabo. E é nesta idade que se cometem erros que podem mudar a nossa vida para sempre e fazer-nos perder a esperança no amor e deixar de acreditar que ele existe.

Infelizmente, a vida, muitas vezes, coloca-nos em caminhos sinuosos e pouco claros que nos ferem de morte e nos deixam descrentes e sem vontade alguma de voltar a andar um palmo acima do chão, com o coração a bater descompassadamente pela presença de alguém.

Felizmente, tendo a acreditar que são apenas fases, mais ou menos longas, consoante as circunstâncias que as antecederam.

Num momento introspectivo após a percepção da minha nova realidade, percebi uma coisa muito importante, que me deixou mais serena — não deixei de acreditar no amor, simplesmente não o sinto no presente. E esta consciencialização tem-me ajudado a olhar para a vida e para as relações humanas com outros olhos.

Para mim, o Amor ainda existe, e tenho a certeza de que voltarei a senti-lo um dia. E hoje, mais do que nunca, a imagem que se segue, para a qual olho com muita frequência da esplanada do meu bar de praia preferido, faz todo o sentido! Eu acredito! E vocês?


Nota:

a: Hoje, excepcionalmente, a crónica do Muro das Lamentações é assinada pela Ana [1]. O Gustavo [2], ou seja, eu, regressa para a semana (ou já este Domingo na sua outra coluna [3]).

4 comentários a “O Amor ainda existe”

Ainda bem que fazes essa pergunta! Eu? Eu cá acho que tu, ou seja, o gustavo, estava a precisar de algo deste género e feitio (um que só Deus e a mãe sabem e aturam): uma introspeção, como lhe chamas. Claro que há outros que talvez debatam que não passe mais do que um discurso de auto-motivação ou uma maneira de mostrar que se está livre a potenciais presas, claro que de uma maneira não insultuosa aos envolvidos e ambígua o suficiente para suscitar dúvidas nas mesmas. Muito astucioso da tua parte (ou seja, do gustavo)! A não ser que não te tenhas apercebido que o teu primeiro parágrafo é só um aglomerar de desculpas criadas pelo hemisfério esquerdo do teu cérebro (ou seja, do gustavo). Neste último caso, não ligues. Dada a tua personalidade estarás muito longe de te tornar senil, trintão. Afinal, são os velhos rezingões, resmungões e teimosos que normalmente duram mais. Injustiças da vida, mas o que se pode fazer?
Bem, não te consigo dar a minha experiência a nível profissional porque tenho ideia que não a irias entender. Para mim, fazer da minha lábia o meu ganha-pão não me está no sangue, mas como a autora diz “quem ler que julgue por si”. “Honest day’s labour” funciona melhor comigo, até porque dou valor ao curso que tirei e ao trabalho que posso fazer com ele, i.e. à qualidade de vida que posso dar às pessoas com ele. Para bom entendedor.
A nível pessoal, tenho pouco a comentar à tua observação. Claro que existe oh tu, ou seja, oh gustavo! Há uma porca para cada porco (apenas pretendo usar o teu exemplo, não insultar ninguém… tal como tu, no teu comentário… sem insultar ninguém…). Numa nota adicional gostava de te desafiar a responder a uma pergunta: Porquê não postar isto na tua página do facebook?
Pergunto isto porque fiquei com a impressão – por ti expressa – que seria para estas mensagens “emo” que o mesmo existia. Com isto não quero chamar-te de incongruente ou hipócrita, claro. Mas não deixo de pensar… Esta é a tua nova página secreta extra-facebook? A que usas para banalidades que condenavas de fúteis e desprezáveis? Posso fazer “Follow”?!
Ainda bem que ainda acreditas no amor! Remeto-te ao meu terceiro parágrafo para o corroborar. Gostava também de te fazer notar o “g” minúsculo. Bate certo com vários aspetos mentais, morais, físicos (teus, ou seja, do gustavo), em suma de Homem (note-se agora o “H” maiúsculo). Ah, desculpa! Espero que presas por aí não leiam esta parte!…
Vou tentar vir cá todos os dias para perceber quando pensas remover este comentário. Claramente me dará um prazer enorme saber que não queres verdades expostas desta maneira. Talvez de alguma forma te induza a fazer uma destas tuas, ou seja, do gustavo, introspeções. Desta vez sobre “verdades”/atitudes que espalhas/tens por aí. Espero que um dia não sejas surpreendido com os frutos que a tua (ou seja do gustavo) falta de respeito pelos outros te pode trazer. Acho que nesse dia podemos todos esperar uma “introspeção” com o quadruplo do tamanho.
As melhoras (parece que precisas) e boa caça !!

Caro João, lamento que ache que este post foi escrito pelo Gustavo, porque, de facto, não foi. Caso queira tirar as suas dúvidas escreva-me para amraimundosantos@gmail.com e terei todo o prazer em esclarecê-las, uma vez que quem se sente ofendida com o seu comentário sou eu. A introspeção e a realidade retratadas são minhas. O género é o correto porque sou uma Mulher.
Ana

[…] Felizmente, Ana, não me esqueci de ti. É hoje que a tua coluna [9] celebra o seu primeiro aniversário. Os teus cinco favoritos: «Indignados de trazer por casa» [10]; «Advogados, médicos e putas» [11]; «Obrigada, Francisco!» [12]; «Entretenimento alheio ou realidade alheada?» [13]; e «O Bar dos Gémeos» [14]. Lá pelo meio, ainda tiveste tempo para te disfarçares de mim e proclamares que «O Amor ainda existe» [15]. […]

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