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Editorial

A propósito de dias que passam

Por Gustavo Martins-Coelho

O leitor mais atento terá reparado que a Rua da Constituição conta com uma nova coluna [1] desde o dia 13 de Outubro deste ano. Dado o seu conteúdo fugir um pouco ao tom habitual dos restantes colunistas e por ser a segunda coluna do autor do «Muro das Lamentações» [2], não considerei necessário fazer um editorial apresentando o novo espaço. Porém, foram surgindo comentários de vários quadrantes, sobretudo feitos pessoalmente, mas também por escrito [3], que me fizeram chegar à conclusão de que talvez fosse necessário o esclarecimento que se segue.

A coluna «Dias passados» [1] procura assumir um registo literário, lírico, artístico, que, como disse no parágrafo anterior, foge ao nível habitual deste blogue. O problema deste tipo de registo, sobretudo se inesperado, como posso admitir que tenha sido o caso, é que suscita interpretações diferentes em cada leitor. Mas, ao mesmo tempo, explicá-lo retira-lhe metade do interesse, porquanto limita, então, a diversidade de interpretações possíveis. E, como eu já disse anteriormente [4], o que torna a arte bela e terrível ao mesmo tempo é não haver uma interpretação certa e errada, apenas interpretações possíveis.

No entanto e a contragosto, chego à conclusão, em face do retorno que tenho recebido dos leitores, que se tornou necessário prestar os seguintes esclarecimentos: a coluna «Dias passados» [1] não é um diário, nem um repositório de sentimentos e frustrações pessoais; os tópicos narrados ou abordados, conquanto possam ter algum ponto de partida em factos reais (embora nem sempre), são maioritariamente resultado de reflexões e observações que não se dirigem a nenhum indivíduo em particular; muito do conteúdo já se encontrava escrito e fora publicado em escritos dispersos anteriormente, tendo sido apenas reorganizado para a edição actual; muito do texto encontra-se construído e formulado de forma a nem sequer ter qualquer semelhança com a realidade em que se baseou (podendo até dar a entender o oposto do que é factual); uma forte influência de estilo da coluna é o «Livro do Desassossego», embora aquela não almeje, de forma nenhuma, competir em qualidade com este.

Aproveito ainda para esclarecer que, obviamente, todos os nomes de colunistas da Rua da Constituição correspondem a pessoas reais e não constituem pseudónimos. Nenhum dos autores cujos textos se encontram aqui publicados tem nada a esconder quanto à sua identidade.

Ao leitor cabe apenas a árdua tarefa de se abandonar à sua leitura e apreciá-la; se não for o caso, procurar numa das outras colunas uma leitura de interesse. Como sempre, comentários também são bem-vindos.

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