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O fenómeno da greve

Por Ana Raimundo Santos

Ontem, dia 28 de Novembro de 2013, aconteceu mais uma greve no metropolitano de Lisboa [1]. Mais uma para juntar ao rol de greves que têm assolado a cidade e o País nos últimos meses, anos. E as artérias principais da cidade entopem-se de automobilistas furiosos e desaustinados, que maldizem o Governo, os transportes públicos, as políticas, o trânsito, a crise e a vida que têm, na vã esperança de que algo mude num breve e ligeiro piscar de olhos. Mas o «sonho» de que tudo vai mudar, de que dias melhores virão, começa a esmorecer cada vez mais nas mentes dos Portugueses. A vida transforma-se em sobrevivência e o Povo perde a esperança de dias melhores.

Em conversa com uma amiga, há dias, sobre as sucessivas greves dos últimos meses, uma interrogação surgiu: qual a sua verdadeira finalidade? Sinceramente, não conseguimos responder. O Governo não cede às reivindicações dos trabalhadores, e as empresas sofrem prejuízos muito significativos a cada paralisação.

E o que ganham os trabalhadores com isso? Um dia a menos no recibo de vencimento e nada mais [2]. Tudo o resto fica igual. Ou melhor, quase tudo. A paciência de quem perde horas para conseguir ir trabalhar em dias de greve atinge valores mínimos. A cidade torna-se mais lenta nas primeiras horas do dia e ao entardecer, na hora de regressar a casa, em dias de greve. E para quê? Para, no fim do dia de greve, ficar tudo na mesma pasmaceira de sempre.

O direito à greve existe e é legítimo que os trabalhadores façam uso dele. Até aqui penso como se diz no jargão jurídico: nada a opor, nada a requerer. Mas questiono-me sobre qual a motivação dos grevistas dos dias de hoje, para quem me parece que fazer greve é mais sinónimo de um dia extra de descanso do que de reivindicação.

Mas isto sou eu e a minha análise enviesada de quem perde imensas horas no trânsito por causa das greves a falar!

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