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Mapas da rede frequente: uma ideia óbvia que demorou a acontecer

Por Jarrett Walker [a]

Se o leitor conhecer a cidade de São Francisco, veja o novo mapa das suas linhas principais de alta frequência [2] desenhado pelo Steve Boland. Está, e bem, protegido por direitos de autor, pelo que apenas reproduzo aqui uma pequena parte.

Durante anos, eu defendi que os operadores de transportes colectivos devem produzir mapas claros das suas redes de alta frequência, de forma que as pessoas possam ver rapidamente onde podem ir sem terem de esperar muito. Eu também advogo que estes mapas sejam colocados na parede do gabinete de cada profissional do sector, de cada pessoa responsável pelos serviços sociais, de facto, na parede de cada pessoa com poder decisório sobre a localização seja do que for. Porque, em última instância, o transporte colectivo mais eficaz é aquele que acontece quando a cidade cresce em resposta à rede de transporte colectivo — como todas as cidades fizeram até cerca de 1945.

O problema de utilizar um mapa típico dos que são publicados pelos operadores é que ele geralmente dá a impressão de que todas as linhas são igualmente importantes, ocultando deste modo a distinção crucial da frequência. Apenas os serviços consistentemente frequentes (frequentes o dia todo, à noite e ao fim-de-semana) são fiáveis para dar satisfação a todas as necessidades da vida, e por esta razão deve-se focar na rede frequente quando se pensa na localização de qualquer coisa que vá necessitar desse tipo de serviço.

A empresa Tri-Met, de Portland, tem um mapa deste género há anos. Brisbane tem também um diagrama da rede frequente, a que chama BUZ. Los Angeles tem também o seu próprio mapa da rede frequente.

O mapa de São Francisco do Steve Boland tem uma escala muito menor (o que é fácil de fazer, sendo São Francisco tão pequena — apenas 11km de maior dimensão). Ele aproveita esta vantagem para mostrar todas as paragens. Esta opção é também útil, porque transmite um sentido gráfico de quantas paragens existem, o que é um bom sinal da rapidez ou lentidão do serviço.

O mapa contém, contudo, um pedaço desafortunado de viés modal: apresenta um serviço de baixa frequência, a linha de comboio suburbano Caltrain, cuja frequência ao meio-dia foi reduzida para horária. Para ser consistente, se o mapa vai apresentar estes serviços regionais infrequentes, deveria também apresentar os serviços de autocarro SamTrans, AC Transit, e Golden Gate Transit, dado que todos estes têm uma frequência superior aos comboios da Caltrain. Para ser um mapa simples e claro sobre frequência, a Caltrain deveria ser omitida.

Cada vez mais, acredito que vamos ver os mapas de transporte colectivo mais úteis e informativos a surgirem no sector privado. Os operadores de transportes deveriam ver quem está a produzir os mapas mais úteis e aprontar-se na adopção das melhores inovações.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

5 comentários a “Mapas da rede frequente: uma ideia óbvia que demorou a acontecer”

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