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O Muro das Lamentações

A minha regionalização

Por Gustavo Martins-Coelho

Ontem, estive numa palestra-debate sobre regionalização [1], na qual uma das imagens apresentadas provinha duma edição recente da «Exame Informática» [2] e era a seguinte:

Vou escusar-me a explicar detalhadamente o significado desta imagem, dado que o leitor poderá encontrar uma descrição exaustiva do método pelo qual ela foi produzida no artigo original [2]. Numa frase, o mapa da esquerda representa os diferentes fluxos das comunicações em Portugal Continental e o da direita contém as regiões delineadas por esses fluxos de comunicações.

Se eu sou a favor ou contra a regionalização como princípio, ainda não decidi. Mas, porque o princípio em si é insuficiente para garantir que a regionalização trará efeitos benéficos ao País, para poder decidir a favor, uma condição se impõe sine qua non: que o mapa das regiões portuguesas se assemelhe mais ao da imagem acima, à direita, do que ao mapa levado a referendo em 1998 [3].

Obviamente, não estou a propor que a divisão administrativa do País seja realizada exclusivamente de acordo com a distribuição geográfica dos telefonemas dos Portugueses (até porque arriscar-nos-íamos a ter um problema em enquadrar regionalmente os telefonemas das votações para a «Casa dos segredos»), mas antes que seja efectuada tendo em conta os reais padrões de vida da população — a organização da economia local e regional, as relações comerciais e os hábitos de consumo, os movimentos pendulares e de lazer, etc..

Em suma, a regionalização só terá potencial (condição necessária, mas não suficiente, como expliquei no terceiro parágrafo) se, como foi dito na palestra dontem, promover a dimensão territorial da política, permitindo a resolução de problemas locais e regionais de forma integrada, através do diálogo entre as diversas estruturas administrativas tanto vertical como horizontalmente.

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