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A gripe da minha avó

Por Hélder Oliveira Coelho

Quando se fala em Estado Social, dever-se-ia falar também de responsabilidade e de educação.

Longe vai o tempo em que o médico assumia um papel paternalista. O acesso tendencialmente gratuito aos cuidados de saúde melhorou drasticamente de vida de todos. Mas, e os custos? Sabemos que não há nada gratuito.

Cada médico, enfermeiro ou técnico é pago. Cada análise ou exame complementar de diagnóstico tem custos! Quanto mais avançado, maiores os custos. Todavia, as taxas moderadoras são sempre as mesmas e não cobrem sequer o custo do administrativo da tesouraria!

Por todo o mundo desenvolvido, cada meio é usado criteriosamente.

O buraco financeiro na saúde é uma evidência. Se, por definição, a prestação de cuidados de saúde não pode dar lucro, o uso irracional de meios, bem como a ausência de cultura médica básica na nossa população, são responsáveis pelo caos em que as contas da Saúde estão [1]. Quantas vezes, a observação clínica seria suficiente para um diagnóstico, mas não vá o diabo tecê-las e algum advogado processar o médico por não ter poderes divinos, lá se pede um ou outro exame inútil, pago por todos nós.

Não obstante, a minha avó, com a velhinha quarta classe, sabia tratar uma gripe: chá e descanso. Raros são os casos que precisam de intervenção médica. Mas, sempre que abre a época da gripe, lá se entopem as urgências para pedir a receita do paracetamol, vendido por um euro sem receita médica!

Haverá alguma lógica nisto? Não, não há! De quem é a culpa? De todos nós.

Usar meios com critério. Tanto por parte de técnicos de saúde, como por parte da população em geral, como pelas entidades públicas, que devem educar para a saúde, educar para a cidadania.

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