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A nova estação de «metro» de Brisbane

Por Jarrett Walker [a]

Escrevi este artigo quando me encontrava em Brisbane, a capital do estado australiano de Queensland, com o objectivo de oferecer uma curta visita à então (quase) nova estação subterrânea da cidade, na Praça do Rei Jorge (King George Square), inaugurada em 19 de Maio de 2008.

A estação localiza-se sob a nova praça central de Brisbane, funcionalmente semelhante à Pioneer Courthouse Square [2] de Portland. A saída da estação oferece a vista da icónica câmara municipal de Brisbane que ilustra a fotografia abaixo. Os estaleiros das obras para a nova praça encontram-se à esquerda.

Pode encontrar-se uma espaçosa sobreloja com expositores informativos e um pouco de arte. As peças artísticas são baseadas em jornais locais do tempo da II Guerra Mundial, contendo informações a respeito das «regras para raides aéreos».

A arquitectura apresenta uma série de planos entrecruzando-se desordenadamente, remetendo vagamente para a Federation Square [3], em Melbourne e abrindo as entradas da estação para o sol.

Uma característica especial desta estação é o Cycle Centre, uma loja onde se pode guardar a bicicleta em segurança ou deixá-la para reparar. O Cycle Centre tem o seu próprio acesso exclusivo para bicicletas a partir do exterior.

A plataforma tem o mesmo aspecto de qualquer outra plataforma moderna de metropolitano, com paredes cor-de-tijolo, a cor do logótipo da agência de transporte colectivo de Brisbane.

Estamos, portanto, numa estação de metro típica, excepto… o que é isto?! Autocarros!

A estação King George localiza-se no novo segmento da rede de corredores de bus de Brisbane. Este novo segmento prolonga-se para Norte até ao terminal de Queen Street [4], preexistente, para formar uma estrada exclusiva para autocarros sob o coração da cidade, utilizada por um serviço frequente diurno e nocturno. Um pouco a Norte desta estação, o corredor de bus assoma à superfície e atravessa a estação de Roma Street [5], permitindo o transbordo para a rede ferroviária suburbana. No futuro o corredor de bus irá prolongar-se em quatro direcções a partir da cidade, num misto de corredores no meio da faixa de rodagem e de segmentos viários exclusivos.

Nas estações subterrâneas, a faixa de rodagem e a plataforma encontram-se separadas por uma parede de vidro. As portas na parede estão alinhadas com as portas do autocarro e apenas abrem quando este se encontra na paragem.

Esta característica promove a segurança, ao impedir os passageiros de entrarem no corredor de bus, e permite que a plataforma tenha ar condicionado, enquanto a faixa de rodagem, obviamente, não pode ter [b].

Existem seis paragens para autocarros ao longo da plataforma. Cada uma delas se encontra pré-atribuída a uma linha ou grupo de linhas. Os painéis informativos mostram as próximas oito linhas a partir de cada paragem.

Observe o padrão de serviço: poucas linhas e serviço frequente. Algumas das linhas saem do corredor bus e ramificam-se, enquanto outras percorrem toda a extensão do corredor de bus. Estas linhas combinam-se para permitir frequência elevada nas partes principais do corredor. O serviço actual consiste num autocarro a cada dois ou três minutos durante o dia todo em ambos os sentidos nesta estação, havendo capacidade em termos de infraestruturas para fazer passar vários autocarros por minuto.

Eu gosto deste detalhe: em vez de fornecer um sistema de informação automatizado para mostrar qual o autocarro em que o passageiro está a embarcar, uma câmara filma o painel na frente do autocarro e proejcta-o em tempo real no monitor sobre a porta de embarque.

Isto significa que não há o risco de erros de sistema que provoquem o desfasamento entre o que o monitor da plataforma e o painel do veículo sinalizam — um erro que é frequente nos painéis «demasiado» automatizados.

A rede de corredores bus de Brisbane está desenhada para criar uma experiência tão semelhante ao transporte ferroviário quanto possível. Brisbane não possui grandes centros de alta densidade na sua periferia, que são normalmente condição para haver mercado para um sistema de transporte ferroviário frequente. Os corredores de bus respondem a esta geografia, prestando um serviço que pode ramificar-se nos arredores para servir muitos destinos, enquanto essas várias linhas se combinam para ter uma frequência semelhante ao metro nas partes densas da cidade. À semelhança do Seattle transit tunnel [6], o corredor de bus de Brisbane está desenhado para poder ser convertido em metro ligeiro, se necessário, mas, para já, volumes crescentes de autocarros conseguem dar resposta às necessidades.

No próximo artigo sobre Brisbane, trarei uma visita à estações exteriores do corredor de bus.

Notas:

a: Este artigo foi adaptado do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

b: O corredor de bus é subterrâneo neste local, mas emerge um pouco a Norte desta estação.

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