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Manifesto contra os sensores de movimento

Por Gustavo Martins-Coelho

Os quartos-de-banho públicos modernos têm essas maravilhas tecnológicas que são as luzes controladas por sensores de movimento.

Quando entro no quarto-de-banho de qualquer estabelecimento, é em alvoroço que procuro o interruptor. Quando a luz se acende antes de conseguir encontrá-lo, desespero, pois é sinal de que o dito lavabo está equipado com uma dessas malfadadas geringonças que só servem para complicar a vida duma pessoa.

A princípio, quando ainda era maçarico, entrava, fazia o meu chichizinho e lá acabava, eventualmente, por ficar às escuras. Agora, já aprendi a técnica: entro, a luz acende, dirijo-me ao urinol e começo a dançar enquanto vou vertendo as minhas águas. Assim, o meu movimento activa o sensor e já não fico às escuras. Claro que, ocasionalmente, a dança lá faz um pouco de chichi cair fora do sítio (isto é, no chão), mas ninguém é perfeito, e também ninguém mandou o dono do café lá pôr o raio do sensor.

«Verter as águas» é uma expressão que transmite de forma extremamente realista, quase visual, o acto a que se refere.

Fica, pois, aqui o apelo a todos os donos de cafés, restaurantes, hotéis e demais estabelecimentos abertos ao público para que não instalem mais iluminação controlada por sensores de movimento, e que, se possível (e não muito caro), retirem os que já se encontram instalados e regressem aos bons velhos interruptores manuais. Ou então, pelo menos, que dupliquem, ou, nalguns casos, tripliquem, o tempo que a luz fica acesa depois do sensor ser activado.

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