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Manifesto contra os quartos-de-banho do Vasco da Gama

Por Gustavo Martins-Coelho

Cada vez que vejo a fila para o quarto-de-banho das mulheres, agradeço por ser homem.

Mas, mesmo para os homens, os quartos-de-banho do Vasco da Gama [1] são uma experiência do Inferno. É muito design, muito design, e, vai-se a ver, não é nada funcional. As pessoas claustrofóbicas devem sofrer muito nos cubículos.

Quando uma pessoa está sentada na retrete e começa pensar, tem ideias em conformidade com o local onde se encontra.

No cubículo ao lado, estava um homem a falar ao telemóvel. Não prestei grande atenção, excepto à seguinte frase:

— O Limão telefonou-me e disse que queria o pacote inteiro. Havia era de vir um preto dar-lhe no pacote.

Agora, não se diz preto, diz-se afro-americano. Por exemplo, deve dizer-se que à noite, o céu é afro-americano. Temos de ser politicamente correctos. Terríveis, portanto [2].

Os lavatórios são todos iguais, mas uns são mais iguais do que outros.

Cá fora, digo eu:

— Vou pedir o livro de reclamações.

Responde a recepcionista:

— É melhor não, porque o chefe não vai gostar.

E o que tenho eu a ver com isso?

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