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Os Alemães não produzem quatro vezes mais do que os Portugueses

Por Gustavo Martins-Coelho

No eixo das abcissas, encontra-se a produtividade dos países da OCDE em 2012, medida em Produto Interno Bruto (dólares americanos a preços correntes) por hora de trabalho realizado.

No eixo das ordenadas, encontra-se o salário médio dos países da OCDE em 2012, medido em paridade de poder de compra (dólares americanos a preços constantes de 2012) por hora de trabalho realizado.

Na sequência das declarações de Belmiro de Azevedo [1], o gráfico mostra que, em 2012, o salário médio na Alemanha era de $30,24/h, enquanto o salário médio em Portugal era $13,66/h; e que a produtividade alemã era de $58,30/h, enquanto a produtividade portuguesa era de $34,00/h. Em média, os Alemães produziam por hora 1,7 vezes mais e ganhavam por hora 2,2 vezes mais do que os Portugueses. Destes dados resulta que, para estarem, proporcionalmente, ao nível salarial dos Alemães, os Portugueses deveriam ganhar, em média, mais 29%, sem precisarem de aumentar a sua produtividade.

Os dados utilizados na construção deste gráfico provêm da base da OCDE [2].

0 comentários a “Os Alemães não produzem quatro vezes mais do que os Portugueses”

É como um estudo de uma multinacional de hamburgueres, a equipa portuguesa serviu mais 1/3 de refeições no mesmo periodo de tempo que uma congénere belga, com o mesmo número de trabalhadores, contudo a produtividade calculada foi de cerca de metade porque a carga de impostos em Portugal é cerca do triplo e o custo por menu das refeições nacionais são mais baixas.

E depois pagamos tanto imposto para quê mesmo?
– Para uma pessoa ir ao hospital, estar 4 horas à espera, não ser atendido e ainda ser obrigado a pagar ‘taxa moderadora’;
– Para ir para uma Universidade dita pública e social que tenta lucrar com tudo e mais alguma coisa, e ainda cobra mais de 1000 euros de propina anual a cada estudante;
– Para ter uma polícia barriguda e complacente que nada faz quanto a queixas de roubos e assaltos;
– Para podermos ter 230 privilegiados na assembleia, para uma população de menos de 10 milhões (em contraste os Estados Unidos têm 530 no seu congresso, para uma população de 300 milhões);
O socialismo bem se pode ir foder é o que eu digo. Somos governados por uma cambada de mamões que sabem nada sobre gestão e tudo sobre extorsão.

– Não se paga taxa moderadora se não se é atendido…
– 1000 euros não é nada; quer dizer, eu gostava que fosse gratuita, isso sim seria educação para todos – mas compare com o custo real da educação de cada aluno na universidade e com as universidades dos EUA por exemplo, e verá que é um preço baixíssimo;
– como se viu por um propalado strip, a polícia já foi bem mais barriguda; o diâmetro desce; e não se pode imputar à polícia toda a responsabilidade, quando o sistema judicial funciona como funciona;
– não me parece que se possa estabelecer uma relação linear sem cair em populismos, para mais exemplificando com um país que funciona à base de dois partidos e no qual (pelo menos ao nível partidário) é mais fácil assegurar representatividade. O parlamento da Noruega (acha que funciona mal?) tem 169 parlamentar para 5 milhões de habitantes; pelo seu cálculo deviam ser 115.
Não que ache que estejamos a ser bem governados e que a carga de impostos seja apropriada e bem gerida, mas tanta demagogia parece-me contraproducente para a discussão.

Depois de pensar um pouco, é possível que para não pagar taxa moderadora (com justificação plausível) seja ainda assim necessário um advogado ou uma cunha 😛

Caro André Carvalho,
A taxa moderadora é paga em função da inscrição na urgência. Se desistir e não for atendido não é anulada. A administração dos H.U.C. não quer devolver e diz ser essa a lei. Tenho provas disso.
A grande questão é a aplicação dos impostos. O Orçamento é uma grande manjedoura onde os partidos políticos se sentam à volta com uma alarvidade insaciável e depois, apesar do que a classe média já paga, falta sempre dinheiro para aquilo que realmente faz falta.

Caro João Duarte,
Pelas minhas contas, está correcto.
Se x for o salário-hora português que estabeleça a paridade com a proporção salário/produtividade alemã, entáo:
(x / 34) = (30,24 / 58,3), logo x = 17,64
Variação (v) face ao salário português actual:
v = (17,64 – 13,66) / 13,66 = 0.29
Cumprimentos

Caro Hugo,
A sua análise ignora por completo a curva de ajustamento apresentada. Os seus calculos baseiam-se numa regressão da forma ax+b o que não é de todo verdade. A curva de ajustamento (apresentada no seu gŕafico) é 24.05ln(x) -69.28 . Com base nessa curva o valor do salário dos portugueses deveria ser 15.529$/h ou seja mais 13.7% que o valor actual e o dos alemães 28.5$/h menos 5.8% que o actual.
Cumprimentos,
Fernando

Caro Fernando Jorge,
Em primeiro lugar, a minha análise não é minha, eu não sou o autor desta publicação, apenas a editei. A análise que aqui faço nos comentários é na qualidade de leitor.
De certa forma tem razão na sua análise, mas não era esse o objectivo do autor, creio eu. O autor não queria comparar Portugal à curva que resulta da regressão de todos os países da amostra, mas sim à Alemanha, em resposta à comparação feita por Belmiro de Azevedo. Sendo a Alemanha o único comparável, a regressão seria efectivamente do tipo ax+b.
Cumprimentos

Tens de entender que Portugal gasta muito tempo e muito dinheiro em burocracia, e esta não mudou. Tem hierarquia em qual pessoas ricas fazem nada (jogos políticas só) e os pobres trabalham muitos horas sem ferias e com pouco dinheiro. Agora portugal tem problema porque os trabalhadores já foram embora.

Analisando os dados aqui mostrados, bem como os consequentes comentários, posso afirmar que a realidade é bem diferente. Os factores que levam ao resultado da produtividade são bem diferentes em Portugal e na maioria dos paises industrialisados. O grupo de trabalhadores dum determinado sector de produção inclui os que produzem, os que mandam, os supervisores, os consultores, os administrativos. Como em Portugal, por norma e uso nas empresas, há muitos mais trabalhadores “improdutivos” do que nesses outros países, como a Alemanha. Tenho 7 (sete) anos de experiência na coordenação, na supervisão e na gestão de trabalhadores (alemaes, portugueses, belgas, italianos, checos e polacos), na Alemanha, num total de 475 trabalhadores de diversas profissões integradas; Posso afirmar com conhecimento de causa que, nas mesmas condições de equipamentos, preraração e gestão do trabalho, os portugueses, salvo raras excepção dos malandros por natureza, sempre foram os melhores. Quanto a salários, as diferenças rondavam os 5% para cima ou para baixo, consoante os locais de trabalho e as profissões. A diferença de salários entre os assalariados e os directores rondavam 2 a 2,5 vezes, sendo que os “chefes” recebem mais um valor resultante dos resultados de produção, em média, até mais 50% do salário base. Quanto à qualidade dos “chefes”, os portugueses sempre se mostraram mais capazes e eficientes. Na Alemanha há um director e mais 3 ou 5 chefes intermédios para cada grupo de 80 a 120 trabalhadores assalariados; em alguns casos, podem chegar aos 200 assalariados. Em Portugal, sabe-se que não é assim, além das grandes falhas na coordenação e na preparação da gestão.
O Engº. Belmiro de Azevedo deve ir trabalhar uns tempos para a Alemanha, para não dizer tamanhos disparates; ou está a usar de má-fé, quando não é mais do que um explorador de mão-de-obra barata. Claro que temos muita gente inadequada aos lugares que ocupam, mas, havendo incentivos (dinheiro) a produção logo aumenta.

as analises vistas superficialmente seram mais ou menos ajustadas, tendo como base de fundo a relaçao produtividade Portugal/Alemanha.
Efetivamente os portugueses trabalham mais que os alemaes e se o valor acrescentado nao é maior é devido à classe politica que temos.
Obrigado a todos

Certo Mas me desculpem ,fora as questões tecnicas aqui expostas tudo para concluir que estamos é mal servidos de empresários e classe política
eu gostaria é de novidades!
obrigado a todos

Pois então bom dia a todos.
Eu diria que pagando fortunas a gestores, diretores e chefes, para que estes escravisem os trabalhadores vai ter que acabar. O trabalhador, que produz, se não for motivado tende a relaxar a produção. E nào é com excesso de trabalho ou horas extraordinárias que se motiva um funcionário. É sim com um salário que lhe permita concluir que vale a pena o esforço. Continuem assim caros empresários. Não irão longe.

Salários? Isso ainda existe em Portugal? É que sinceramente acho, que a esta altura dos “cortes”, a maioria recebe esmolas e uns bofetões pelo trabalho que produz…os portugueses ainda não acordaram…se é que algum dia irão mesmo sair deste estado de passividade a que se habituou…onde estão os descendentes dos que tanto lutaram por este pequeno GRANDE pais?

Ui ui ui.
A produtividade não tem apenas a haver com o factor de custo de trabalho. O custo do trabalhador é apenas uma componente e nem a maior ou a maioria.
Existe muitos outros factores.
Não entender as relações e assumir relações directas dá nestas conclusões. (Ainda mais quando gráfico mostra que a relação não é sequer linear)

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