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Adivinha cavalar

Por Gustavo Martins-Coelho

— Qual é a diferença entre uma mulher e uma sanita?

Sinto-me estúpido sempre que respondo «não sei» a uma destas perguntas, como se não fosse realmente capaz de distinguir uma da outra! Havia uma outra adivinha que rezava assim:

— Qual é a diferença entre um marco do correio e o traseiro dum cavalo?

Naturalmente, esperava-se que o interlocutor incauto respondesse:

— Não sei.

O que dava ao chistoso ensejo de retorquir:

— Então, é melhor nunca te pedir para me pores uma carta no correio!

Felizmente, hoje em dia, pode mandar-se uma carta por correio electrónico: é mais barato e poupam-se confusões com cavalos.

Não entendo é esta mania de começar a correspondência electrónica com «bom dia», «boa tarde» ou «boa noite», consoante a hora a que é escrita. Às onze e pico da noite, abro a caixa de correio electrónico e vejo alguém a desejar-me que tenha uma excelente tarde! Agradeço, sim, senhor, mas, se não for pedir muito, esclareça-me: qual das tardes deseja que seja boa: a que passou (já não vai a tempo) ou a do dia seguinte (ainda falta um — bom — bocado)?

Também não percebo de que serve ter um rodapé catita na correspondência electrónica, com os meus contactos todos lá escarrapachados, se depois toda a gente me pede o número de telefone.

Nem nunca percebi por que é que, antigamente, se escrevia «codex» nos endereços dos apartados. Digo «antigamente», porque deixei de ver isso, há muito tempo. Talvez ande menos atento.

Nunca percebi por que é que se escrevia «codex» nos endereços dos apartados, mas também nunca tive coragem de perguntar. Sou tímido.

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