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O Fundamentalista Científico

O efeito do regresso do soldado (parte III) — estão a nascer mais rapazes agora?

Por Satoshi Kanazawa [a]

Será que o «efeito do regresso do soldado» significa que há mais rapazes a nascer actualmente, porque estamos neste momento em guerra? Provavelmente, não.

Independentemente do motivo exacto pelo qual os soldados mais altos têm maior probabilidade de sobreviver à batalha, o fenómeno do «efeito do regresso do soldado» não é passível de ser observado e repetido nas guerras mais recentes e nas futuras. Tal facto resulta de ser necessária a mobilização duma parte substancial da população para o mecanismo proposto produzir meninos excesso nessa população. As forças militares dos países ocidentais, hoje em dia, não necessitam de tantos soldados como antigamente. A transição para forças militares de menores dimensões reflecte-se na interrupção do serviço militar obrigatório na maioria dos países ocidentais.

Com uma proporção muito menor da população mobilizada para a guerra, é pouco provável que o efeito do regresso do soldado se repita, mesmo que os soldados mais altos ainda sejam mais propensos a sobreviver à batalha e mesmo que os homens mais altos sejam mais propensos a ter filhos rapazes. A razão de masculinidade mais elevada (mais meninos) entre os descendentes dos soldados sobreviventes (e que regressam) não vai alterar significativamente a razão de masculinidade ao nascimento em toda a sociedade. Apesar dum número crescente de homens e mulheres jovens estar a ser mobilizado para a guerra actual, a taxa de mobilização nos Estados Unidos está longe de atingir um terço (a taxa de mobilização no Reino Unido durante a I Guerra Mundial). Provavelmente devido a essa razão, não nasceram mais meninos durante as guerras mais recentes, tais como as guerras entre o Irão e o Iraque em 1980-1988 e da guerra dos dez dias na Eslovénia, em 1991. Ainda assim, se a maior altura dos soldados do Reino Unido sobreviventes em relação aos soldados mortos durante a I Guerra Mundial for generalizável a outras nações beligerantes nas duas guerras mundiais, então este facto pode potencialmente resolver um dos mistérios de longa data na biologia e na psicologia evolutivas.

Por outro lado, a lógica por trás da explicação proposta para o efeito do regresso do soldado deve aplicar-se a outros eventos de larga escala e alta mortalidade, tais como os desastres naturais. Por exemplo, se os indivíduos mais inteligentes ou saudáveis ​(e, portanto, mais altos) tivessem mais hipóteses de sobrevivência ao terramoto e maremoto no Oceano Índico em 2004, que matou quase um quarto de milhão de pessoas, então eu esperaria ver mais rapazes a nascer na região afectada durante vários anos após o evento.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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