Categorias
Consultório da Ria

O crânio

Por Carlos Lima

O crânio é uma estrutura óssea compacta e robusta, capaz de absorver pancadas fortes, sem que o cérebro, que está dentro, se danifique, como é o caso do cabecear de uma bola. É constituído por vinte e dois ossos, oito dos quais exclusivos para proteger o cérebro; os restantes são os ossos da face, que abrigam e protegem os órgãos dos sentidos. Tal como todos os ossos, o osso do crânio é osso vivo e constituído por uma rede densa com pequenos orifícios, o que lhe dá uma estrutura rígida, mas ainda assim bastante flexível.

A parte externa é polida e regular; já a parte interna possui saliências que servem para aumentar a resistência, para servir de apoio às estruturas que suportam o cérebro (meninges) e para servir de almofada a estruturas vitais dentro do próprio cérebro.

O crânio varia muito na sua estrutura ao longo da vida, começando por ser uma estrutura translúcida (deixa passar a luz) na vida fetal. À nascença, o bebé vem com a estrutura óssea superior completamente desligada, para permitir o ajustamento da cabeça à estrutura óssea da mãe, que tem um diâmetro de aproximadamente nove centímetros. Ao longo dos primeiros anos, apresenta ligações mais robustas, de cartilagem, e alguns orifícios (fontanelas), que tendem a fechar por volta dos dois anos. Esta flexibilidade permite que o cérebro se desenvolva rapidamente. Na idade adulta, a cartilagem é completamente substituída por osso definitivo e o crânio está completamente fechado, à excepção de orifício que permite a ligação entre a medula espinhal e o cérebro; e naturalmente outros orifícios mais pequenos, por onde passam alguns vasos sanguíneos e os nervos, como os nervos ópticos e auditivos.

É no crânio que se inserem os músculos que nos permitem suportar e movimentar a cabeça, entre os quais o imortalizado por Vasco Santana no filme «A canção de Lisboa»: o esternocleidomastoideu.

Os ossos da face, em número de doze, também fazem parte do crânio. São um conjunto de ossos com várias cavidades, que permitem albergar os olhos e o ouvido interno, bem como criar cavidades labirínticas, muito irrigadas por sangue, que permitem a passagem do ar pelo nariz, promovendo o seu aquecimento até sete vezes superior ao inspirado pela boca. Formam também, várias caixas de ressonância, que permitem dar eco ao trabalho das cordas vocais, projectando a voz que nós próprios ouvimos e a que sai para o exterior.

Inserido nos ossos da face, está o maxilar inferior, que é o único osso móvel do crânio; esta mobilidade permite a articulação com o maxilar superior, através de músculos muito poderosos, que nos permitem a mastigação de alimentos duros. Está também envolvido em actividades bem mais delicadas, como, por exemplo, a fala.

Um dos problemas mais comuns relacionados com os ossos da face é a fenda palatina (céu da boca incompleto), associada ou não ao lábio leporino (o osso do maxilar superior incompleto), que, na maior parte dos casos, exige correcção cirúrgica.

Sendo o crânio uma estrutura adequada para nos proteger nas situações em possamos estar envolvidos em consequência da nossa locomoção, não está preparado para as situações mais agressivas, como são as quedas de grande altura, os acidentes de carro e de mota, em que a velocidade a que nos deslocamos gera impactos bastante mais violentos. A si cabe-lhe ter a noção de que, mesmo usando as protecções estipuladas por lei, tal pode não ser suficiente, pelo que prudência e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Saúde!

0 comentários a “O crânio”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *