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Uma crise de vontades

Por Philomena Athanadiasou (Blonderful ideas, 12.IV.2012) [a]

Ao serviço da economia

Quando o dinheiro foi inventado, provavelmente foi uma grande invenção. Facilitou as transações e talvez tenha mesmo permitido a distribuição da riqueza. Por outras palavras: o dinheiro estava ao nosso serviço. Hoje, o nosso sistema monetário tornou-se um monstro caprichoso com uma vida própria chamada economia. A economia tem de ser bem alimentada e cuidada caso contrário, cuidado com a ira divina!… Quando perturbada, a economia começa por rosnar, para espalhar o medo e fazer com que todos a sirvam ainda melhor. Quando isso não é suficiente, simplesmente ataca e engole as pessoas…

Hoje em dia, o dinheiro não nos serve, nós é que o servimos. Somos escravos da economia.

Uma crise criada do nada

Hoje, a economia está a rosnar de novo e começou a engolir as pessoas. É a crise. Porém, se nos distanciarmos da economia por um momento, vamos ver que as coisas mais essenciais que compõem o nosso mundo não mudaram.

  • Será que a produção de alimentos caiu drasticamente de repente, de tal forma que muitos tenham de morrer à fome? Não. De facto, há comida suficiente a ser produzida hoje no planeta para fornecer a todos uma dieta de 2700 Kcal por dia [2]. A fome e a subnutrição são desnecessárias.
  • Será que a população mundial diminuiu de repente de modo a não haver gente suficiente para trabalhar e produzir os alimentos e restantes produto que todos nós apreciamos? Não. Ao contrário: muitos estão desempregados.
  • Será que as infraestruturas físicas e digitais que temos colapsaram subitamente? Não. O mundo nunca este tão interligado como hoje! Nunca foi tão fácil partilhar informações, ideias e recursos.

O que significa isto? Que, em princípio, temos toda a infraestrutura, todos os recursos naturais e toda a mão-de-obra necessários para manter todos felizes neste planeta.

Então, o que é esta crise, na realidade? A única crise que eu vejo é uma crise de vontades. Da vontade de abrir os olhos e ver que podemos abandonar o velho paradigma e construir um mundo melhor. Da vontade de pôr as nossas diferenças de lado, de unir a humanidade e de criar as condições que permitirão que o máximo de pessoas tenha uma vida saudável, confortável e feliz.

Abra os olhos: nós podemos abandonar a escravidão e construir um mundo melhor.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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