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Consultório da Ria

O ouvido

Por Carlos Lima

O ouvido humano é constituído por três partes: ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno, que funcionam em conjunto para formação da audição e contribuem de forma muito importante para o equilíbrio corporal.

O ouvido externo, formado pelo pavilhão auricular, pelo canal auricular e pelo tímpano, tem como principal função conduzir as ondas sonoras para o tímpano, o qual, através das vibrações produzidas, vai activar as estruturas do ouvido médio. No canal auricular, existem glândulas, que produzem o cerume, que lubrifica e ajuda a reter e a remover as partículas que entram no ouvido.

O ouvido médio situa-se para lá do tímpano e é uma estrutura cavitária, com presença de ar, onde se encontram os três ossículos da audição: martelo, bigorna e estribo (são os ossos mais pequenos do corpo humano) e os músculos que os movimentam: o estapédio, que movimenta o estribo, e o tensor do tímpano, que movimenta o martelo. Este músculo é importante na protecção do ouvido na presença de frequências muito altas, pois gera tal tensão no tímpano que este praticamente não vibra, causando dor; leva a pessoa a defender-se, limitando assim os danos da vibração excessiva. O ouvido médio encontra-se ligado à nasofaringe pelas trompas de Eustáquio, o que permite manter a ventilação e o equilíbrio de pressões do ouvido médio e a drenagem das secreções nele produzidas.

O ouvido interno é constituído pelos labirintos ósseo e membranoso. O labirinto ósseo é cavado no osso temporal e encontra-se cheio de perilinfa. Consiste na cóclea, que contém o órgão da audição, e no aparelho vestibular, que está relacionado com o equilíbrio. O labirinto membranoso está completamente dentro do labirinto ósseo; tem a ver com as estruturas nele contidas e está cheio de endolinfa.

A formação dos sons

As ondas sonoras originam-se num objecto em vibração e propagam-se como a onda produzida ao atirar uma pedra para um lago calmo. O som é caracterizado por dois aspectos: a intensidade e a frequência. A intensidade é medida em decibéis (dB). Quanto maior é a intensidade, mais alto é o som. O ouvido humano capta som desde 0 dB até 90 dB. A exposição continuada e prolongada a frequências de 90 dB gera surdez. Valores de 115 a 120 dB geram dor. A frequência é medida em Hertz (Hz) e o ouvido humano suporta amplitudes de vinte a vinte mil Hz.

Como é que ouvimos? O som é captado pelo ouvido externo e orientado para o tímpano. A vibração do tímpano activa a vibração do martelo, propaga-se pela bigorna e é transmitida à cóclea pelo estribo, que produz ondas na perilinfa; as ondas produzidas na perilinfa vão gerar pressão ondulatória na endolinfa do labirinto membranoso; este movimento vai ser captado pelos cílios (pêlos muito pequenos e finos dentro da cóclea) e convertido em impulsos nervosos, enviados e interpretados no cérebro. Sendo a estrutura coclear em concha de caracol, as ondas de maior frequência propagam-se mais, geram mais impulsos nervosos e geram sons mais agudos. A localização da origem dos sons tem a ver com a captação pelos dois ouvidos, havendo predominância nas imagens cerebrais dos impulsos recebidos em primeiro lugar. O longe ou perto é fornecido pelo comprimento da onda, que, à medida que se afasta, dá origem a ondas mais largas.


Quanto ao equilíbrio, podemos dividi-lo em equilíbrio estático (parado) e equilíbrio dinâmico (em movimento). O aparelho vestibular contém três estruturas (o sáculo, o utrículo e os canais semicirculares); estas estruturas estão revestidas internamente por cílios e contêm uma substância livre, os otólitos (que são cristais de carbonato de cálcio). Para simplificar, diria que temos vários tubos ocos contendo areia. Se atendermos a que esses tubos têm várias orientações espaciais, quando estamos parados, a areia está na base, mas, quando nos movimentamos, a areia vai-se movendo dentro dos tubos, conforme a gravidade. A informação captada pelos cílios é convertida em impulsos nervosos e enviada para o cérebro e, neste caso, também para o cerebelo, que é o nosso órgão gestor do equilíbrio e que gera respostas musculares para manter o equilíbrio.

A surdez é o problema que mais afecta o ouvido. Pode ter duas origens: a surdez de condução (ou seja, o impulso vibratório não chega ao ouvido interno; é corrigível com aparelhos próprios) e a surdez perceptiva (em que o ouvido interno está afectado; nestes casos, os aparelhos externos não servem de nada).

Saúde!

4 comentários a “O ouvido”

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