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Consultório da Ria

As cordas vocais

Por Carlos Lima

As cordas vocais estão inseridas na laringe, mais especificamente na glote. São o elemento fundamental da fala, mas dependem de todas as estruturas envolventes, como a laringe, a traqueia, a boca, a língua e o nariz, para que o som se possa ouvir. São dois ligamentos muito elásticos, que se estendem entre cartilagem rígida. Funcionam basicamente como as cordas da viola, só que neste caso são colocadas a vibrar pela passagem do ar e os sons são modulados pela contracção muscular que as une ou afasta, de forma a deixar passar mais ou menos ar; quanto maior a pressão do ar, mais alto é o som.

O tom é controlado pela tensão nas cordas vocais: quanto mais esticadas estiverem, mais vibram e mais agudo é o tom. Nos tons mais graves, o processo é o inverso: maior relaxamento, menor vibração. Na criança, as cordas vocais são curtas e finas, o que lhes dá um timbre característico. Na puberdade, as estruturas da laringe diferenciam-se no homem e na mulher, devido à acção hormonal. Habitualmente, as cordas vocais no homem engrossam e a voz fica mais grave. A mulher tem as cordas vocais mais curtas e menos grossas, o que lhes dá um tom mais agudo .

As estruturas adjacentes de ressonância e modulação da vibração sonora produzida pelas cordas vocais, como a língua (controlo dos sons, de forma a dar-lhes sentido — formar palavras), o nariz e os seios peri-nasais (efeito de eco e entoação), são as responsáveis pela voz como ela é ouvida no exterior. A condução óssea é a responsável por ficarmos surpreendidos pela nossa voz quando gravada, em relação com a que nós próprios ouvimos, pois cria uma dissonância entre as vibrações captadas internamente e as que nos entram pelo nosso próprio ouvido, vindas do exterior.

A vibração das nossas cordas vocais pode ser afectada por diversos factores, tais como o frio, o ar seco, a utilização de substâncias irritantes, como o fumo tabaco, ou os esforços vocais intensos. Ter dificuldade em falar depois de consumir uma bebida muito fresca ou mesmo gelada é disso um bom exemplo. As profissões que usam muito a voz, como os professores, os cantores, entre outros, por vezes em condições adversas, podem ter problemas agudos, como a afonia (não conseguir falar, ou falar muito baixinho), ou crónicos, como é o caso dos pólipos de esforço, ou mesmo uma rouquidão cronica devido à perda da elasticidade das cordas vocais. A estratégia de aquecimento da voz (leia-se cordas vocais e estruturas adjacentes) é muito importante e pode evitar lesões, tal como faz o aquecimento muscular no atleta.

Os pólipos são pequenas formações nodosas nas cordas vocais, habitualmente benignos, e devem-se a inflamações crónicas, devido a infecções da via aérea ou da má utilização deste fantástico instrumento, e condicionam a utilização do mesmo, como já vimos atrás.

Apesar do nosso sistema de fonação (emissão de sons) ser idêntico aos da maior parte dos animais, o domínio que temos sobre ele permite-nos usar expressões entendíveis após um período de aprendizagem; há que ter consciência de que a linguagem não nos é inata, é aprendida. Por isso, usar adequadamente as nossas cordas vocais e manter saudável todas as vias aéreas facilita a sua conservação e dar continuidade ao artista que temos dentro de nós.

Saúde!

3 comentários a “As cordas vocais”

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