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Touros e ursos no metro

Por Hugo Pinto de Abreu

Eu gosto imenso do metro, embora arranje desculpas para o evitar mais vezes do que queria. Talvez o leitor esteja familiarizado com a situação:

— Amanhã é que vai ser! Vou sair meia hora mais cedo e vou de transportes públicos!

E todos sabemos como isso acaba. Pelo menos, eu sei. Admiro muito o Gustavo [1], que, para quem não o conheça, é senhor de uma invejável capacidade de planeamento e execução, muito em particular quando se trata de utilizar o transporte público: quando ele se propõe ir de metro, ou comboio, vai mesmo [2]! É notável!

Apesar de gostar imenso do metro, nunca entendi a utilidade de colocar informação financeira, de mercados de capitais — habitualmente, de mercados bolsistas — ou de matérias-primas, a passar nos ecrãs das estações ou das composições.

Será que alguém já tomou uma decisão de investimento enquanto se deslocava no Metro do Porto, com base na informação financeira disponibilizada nos ecrãs? E, se sim, terá sido uma decisão racional?

É costume distinguir-se, quando se fala de mercados financeiros, entre aqueles que acreditam na hipótese da eficiência dos mercados (que assume diversas formulações, com distintas intensidades) [3] e aqueles que acreditam poder consistentemente superar o mercado através da análise técnica [4] ou da análise da informação patrimonial-financeira [5]. Não vejo nenhuma destas categorias de pessoas a ligar para o seu corretor após ter visto as últimas cotações enquanto ia do Bolhão ao Estádio do Dragão.

Num tempo de gestão profissional de activos e de informação instantânea, a informação financeira no metro, na rádio ou na televisão, bem como os comentários da Agência Reuteurs (ou doutra qualquer) — feitos aliás por pessoas que não sabemos quem são, que formação têm, nem o que fazem —, não têm nenhuma utilidade prática para qualquer investidor (excepto, talvez, para o «investidor a olho»): constituem uma espécie de bling-bling com vista a impressionar quem não está ao corrente do funcionamento destes mercados.

Sim, há touros e ursos [6] no metro — mas estão lá só para enfeitar!

Um comentário a “Touros e ursos no metro”

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