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Consultório da Ria

O estômago

Por Carlos Lima

O estômago é uma dilatação muscular do sistema digestivo que tem a forma de um jota. Situa-se na cavidade abdominal, na parte superior, mesmo por baixo do diafragma, encostado ao lado direito, parcialmente protegido pelas últimas costelas. É aberto na parte superior para o esófago, que lhe faz chegar os alimentos vindos da boca, sob a forma de bolo alimentar, e na parte inferior para o duodeno e intestino delgado, através do piloro.

É, do ponto de vista anatómico, dividido em quatro partes: o cárdia (junto da ligação com o esófago; o fundo do estômago, que é a parte que forma uma bolsa mesmo ao lado do esófago e encostado ao diafragma (quando uma pessoa está na posição vertical, habitualmente acumula ar, que por vezes é libertado pela eructação ou arroto); o corpo do estômago, que corresponde à maior porção do estômago e vai desde as partes referidas anteriormente até a zona do ângulo pilórico; e o piloro.

Possui dois esfíncteres: o cárdia, que impede o refluxo gastroesofágico, e o piloro, que fecha o estômago para o intestino delgado, fazendo com sejam drenadas pequenas quantidades de cada vez.

É revestido internamente por mucosa secretora, que produz o chamado suco gástrico. O suco gástrico pode ser dividido em três secreções principais. Existem células especializadas na secreção de ácido clorídrico (células parietais), o que faz com que o ambiente gástrico seja extremamente ácido (pH de 2); as células principais produzem uma enzima gástrica inactivada, o pepsinogénio, que, ao entrar em contracto com o ácido clorídrico, se transforma em pepsina, que é fundamental para a degradação das proteínas em ácidos aminados mais pequenos, capazes de serem absorvidos no intestino; e as células mucosas do colo segregam um muco que protege as próprias células do estômago de serem queimadas pelo acido clorídrico e digeridas pelas pepsina. Existem ainda as células G, que segregam gastrina na corrente sanguínea, estimulando a produção de suco gástrico.

Do ponto de vista muscular, o estômago tem três camadas de músculo: uma longitudinal, ao longo de todo o comprimento do estômago; uma camada circular; e uma camada oblíqua. A conjugação do trabalho muscular faz com que a compressão dos movimentos peristálticos, em conjunto com o muco, fragmentem os alimentos em pedaços cada vez mais pequenos, de forma a formar o quimo, que apresenta um aspecto leitoso e que vai sendo progressivamente enviado para o duodeno através do piloro. Os movimentos peristálticos são denominados ondas de mistura e, no período de ingestão e digestão, apresentam uma frequência a cada vinte segundos. São responsáveis pela circulação dos alimentos no estômago e por empurrar o quimo para o intestino delgado, em pequenos jactos a cada onda. O esvaziamento gástrico demora entre duas a seis horas e é influenciado pela quantidade de comida e pela qualidade dos alimentos — os alimentos ricos em hidratos de carbono (açúcares) demoram pouco, as proteínas demoram um pouco mais e as gorduras demoram muito mais. No bebé, produz-se a renina, para coalhar o leite, para que este permaneça mais tempo no estômago e dê a sensação de saciedade por mais tempo.

A visualização, o cheiro, o pensamento sobre alimentos e os sabores estimulam a produção de muco, antes de que o alimento chegue ao estômago. A passagem do alimento para o duodeno e o intestino delgado, bem como a diminuição de alimento no estômago, abranda a produção de muco e o esvaziamento torna-se mais lento.

A principal função da actividade química (componentes do muco) é iniciar a digestão das proteínas pela acção da pepsina.

O estômago serve também para a absorção dalguns nutrientes, tais como água, sais minerais, alguns medicamentos, como a aspirina, e o álcool; e promove a absorção de vitamina B12.

A úlcera gastroduodenal e o refluxo gastroesofágico, que gera a chamada azia, são os problemas mais comuns, relacionados com o estômago, exigindo intervenções terapêuticas médicas para controlar ou resolver o problema. Comer pouco de cada vez e não ingerir muitas proteínas ou gorduras facilita o trabalho do estômago e previne complicações. O excesso de café também está contra-indicado, principalmente para quem já sofre de azia.

Coma bem; o seu estômago agradece…

Saúde!

10 comentários a “O estômago”

[…] O corpo humano não tem a capacidade de sintetizar o cobalto, dependendo do fornecimento externo, através dos alimentos, como a carne — em particular fígado e rins —, as ostras, a amêijoa e o leite. As algas também são ricas em cobalto, mas é de mais difícil absorção, para não dizer impossível. Os produtos hortícolas de produção industrial possuem habitualmente excesso de cobalto, dado que este é usado como fertilizante, mas, tal como o das algas, não é aproveitado pelo organismo humano, pelo que as pessoas com regimes vegetarianos puros podem ter um nível baixo de cobalto no sangue e necessitar de suplemento. A absorção de cobalto é muito limitada na falta de vitamina B6 e perante uma diminuição do ácido clorídrico [5] produzido no estômago [6]. […]

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