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Consultório da Ria

O sistema linfático

Por Carlos Lima

Podemos dizer que o sistema linfático é um sistema paralelo ao sistema circulatório sanguíneo, no qual corre um fluido idêntico ao plasma, mas sem as proteínas típicas daquele (como a albumina), sendo chamado de linfa. Pelo sistema linfático circulam 15% dos líquidos totais do corpo. A linfa é rica em linfócitos (glóbulos brancos) especializados na destruição de células invasoras e micróbios (linfócitos T) e linfócitos especializados na produção de anticorpos (linfócitos B).

Os gânglios linfáticos estão espalhados por todo o corpo, com particular incidência junto das portas de entrada: boca [1], nariz [2], vagina, pénis, ânus e abdómen, ao longo de todo o intestino [3]; estão ausentes do sistema nervoso central (cérebro [4] e medula espinhal) e da medula óssea vermelha. Ao nível do pescoço, das axilas e das virilhas, são superficiais e palpáveis.

Além dos gânglios, existem outros dois órgãos considerados linfáticos: o baço e o timo.

As funções principais do sistema linfático são três: a drenagem dos fluidos intersticiais (fluidos fora do sangue e das células); o transporte de lípidos (gorduras) e de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) desde o intestino [3] até ao sangue; e a protecção do corpo contra invasões, através de vigilância e combate aos agentes agressores (é esta função que faz com que os gânglios linfáticos aumentem de tamanho na presença de infecções ou neoplasias).

Os vasos linfáticos recolhem os fluidos do exterior da célula por microcapilares e, pela junção destes, vão aumentando de tamanho, até chegarem a um gânglio linfático. Os gânglios linfáticos unem-se nos vasos eferentes e formam uma cadeia de junções, até formar o tronco linfático. Por sua vez, os troncos linfáticos unem-se em rede para formar os canais linfático direito e linfático torácico. O canal torácico recebe linfa da parte esquerda da cabeça [5], do pescoço, do tórax, do membro superior esquerdo e de todo o corpo abaixo das costelas; drena a linfa de volta à circulação sanguínea, na junção entre a veia subclávia esquerda e veia jugular interna. O canal linfático direito drena na junção entre a veia jugular interna direita e a veia subclávia direita.

Os gânglios linfáticos filtram a linfa de substâncias estranhas ao organismo, através da fagocitose (do grego phagein, comer e kytos, célula), realizada pelos macrófagos, e por inactivação e produção de substâncias antimicrobianas, pelos linfócitos B e T.

O edema ou inchaço é devido à acumulação de linfa, por obstrução dos gânglios linfáticos por inflamação ou infecção, por compressão dos vasos linfáticos, ou por excesso de produção de linfa, geralmente por pressão sanguínea nos capilares (pequenos vasos) que impede o retorno ao sangue dos fluidos que saíram daqueles para alimentar as células.

O aumento de dimensões dos gânglios linfáticos é sinónimo de aumento de actividade e presença de inflamação, de infecção ou de neoplasia. Estas situações incrementam a necessidade de produzir linfócitos e de aumentar a filtração da linfa para remover os agentes invasores e as partículas em suspensão.

O nosso sistema linfático funciona como um guardião do nosso corpo e está disponível em todos os momentos. O exercício físico e os hábitos de vida saudáveis favorecem o seu bom funcionamento. Como as gorduras são absorvidas por via linfática, o seu consumo moderado é também factor de higiene do sistema linfático. Defenda-se…

Saúde!

3 comentários a “O sistema linfático”

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