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Estado de Sítio

Para Gaza, com amor

Por Ana Raimundo Santos

A «famosa» Faixa de Gaza [1] tem vivido nos últimos dezoito dias momentos de verdadeiro terror e angústia [2]. Mais de seis mil feridos e 914 mortos depois, estaria na altura de ser colocado um ponto final na birra israelita, mas quer parecer-me que colocar um travão a Israel será uma tarefa hérculea e quase impossível.

Apesar da trégua de doze horas decorrida no dia de hoje, não se antevê um final previsível para o conflito e as vítimas vão aumentando, num somatório assustador de perdas de vidas humanas. E não se iluda o leitor mais desatento aos noticiários nacionais e internacionais: as vítimas não são só soldados, antes pelo contrário — o amontoado de corpos cujas vidas têm estado a ser ceifadas pelos ataques israelitas divide-se entre homens, mulheres e crianças — sim, leu bem — crianças! Ainda há dois dias, Israel bombardeou uma escola da ONU [3], a 75.ª desde o início deste conflito, provocando a morte a, pelo menos, quinze pessoas, que ali se haviam refugiado.

O Estado de Israel [4], criado oficialmente em Maio de 1948, tem uma história de dor e de sofrimento, tendo o seu povo sido vítima dum dos maiores crimes contra a Humanidade — o Holocausto [5]. No entanto, desculpem-me os meus amigos judeus, os últimos créditos desse tempo terminaram agora, com o massacre a que os palestinianos têm estado a ser sujeitos, às mãos de Israel.

Tanto Israel como a Palestina se enchem de razões, mas a verdade é que, para o conflito armado, qualquer motivo é insuficiente e todas as mortes injustificadas. E é isto que deveria estar presente nas mentes dos senhores da guerra, que ceifam vidas e provocam dores profundas e inultrapassáveis nas vidas daqueles que sobrevivem e que sofrem a injustiça de perder um pai, uma mãe, uma irmã ou um filho.

O povo de Israel, que foi, há quase setenta anos, vítima do mais hediondo dos crimes, é hoje carrasco desumano, provocando, de forma deliberada e gratuita, a dor e o sofrimento que um dia já sentiu.

O antissemitismo [6] existiu e ainda existe. O Holocausto é e será sempre uma das maiores vergonhas da Humanidade.

Só falta saber qual o lugar que a História tem reservada para a carnificina que um povo castigado pela vida está a provocar a outro.

Para Gaza vai o meu mais profundo pesar pelas muitas vidas perdidas e pelas muitas mais que, não sejamos ingénuos, ainda irão perder-se.

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