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Consultório da Ria

Os testículos

Por Carlos Lima

Os testículos fazem parte do aparelho reprodutor masculino. São eles que produzem os espermatozóides, que é o contributo masculino para a criação duma nova vida, no momento da fecundação; e a testosterona, a hormona masculina que ajuda no processo de crescimento e é responsável pelo aparecimento dos chamados carácteres masculinos, como barba, voz grossa, e aumento do tamanho dos testículos e do pénis.

Os testículos situam-se por baixo do pénis, contidos no escroto. Escroto significa saco, ou seja, é o saco que suporta o testículo. A localização do escroto e a contracção das suas fibras musculares regulam a temperatura dos testículos e protegem-nos perante situações de estresse. A temperatura deve ser inferior à temperatura do corpo e deve variar entre meio grau e três graus abaixo da temperatura corporal. Quando está muito frio, os músculos do escroto contraem e puxam os testículos para junto do corpo, o que os mantém na temperatura ideal.

Os testículos desenvolvem-se na cavidade abdominal na fase embrionária e começam a descida para a região pélvica por volta do primeiro mês fetal. Após o nascimento, já se devem encontrar dentro do saco escrotal. Caso a descida não ocorra, estamos perante uma situação de criptoquidia, que pode necessitar de uma simples cirurgia correctiva. Por volta dos sete anos, dá-se um aumento significativo da produção de testosterona, mas é na adolescência ou puberdade (dez a onze anos) que mais se desenvolvem, para se atingir a maturidade entre os dezasseis e os vinte anos.

Os testículos são habitualmente dois, estando em sacos escrotais separados. Por sua vez, cada testículo é dividido em aproximadamente trezentos lóbulos. Cada lóbulo contém até três túbulos seminíferos, onde se produzem os espermatozóides. Para aumentar a área e a capacidade de produção, estes tubos são espiralados. No início da espiral, estão as formas mais básicas do espermatozóide e, no final, espermatozóides maduros. Depois, o espermatozóide é libertado no túbulo e inicia o movimento para o canal espermático.

As células de Sertoli são as responsáveis pela sustentação, pela proteção e pela nutrição dos espermatozóides. Destroem os espermatozóides defeituosos e segregam inibina, que ajuda a regular o ritmo de produção de espermatozóides. As células de Leydig são as responsáveis pela produção de testosterona.

A espermatogénese, ou produção de espermatozóides, passa por diversas fases, mas destaca-se a importância da divisão reducional, em que uma só célula dá origem a quatro células com apenas metade dos cromossomas, cada uma. Esses 23 cromossomas contêm todos os códigos de activação celular, para que, quando o espermatozóide se unir ao óvulo (na fecundação), se voltem a recombinar e formar células de 46 cromossomas. O epidídimo é o local de maturação, onde, durante dez a catorze dias, os espermatozóides aumentam a mobilidade; podem permanecer até cerca de trinta dias; caso não sejam expelidos são reabsorvidos. Os espermatozóides são produzidos na razão de trezentos milhões por dia; quando ejaculados na vagina, têm uma semi-vida de 48 a 72 horas.

O canal deferente conduz os espermatozóides para serem ejaculados depois de misturados com o líquido seminal. A vasectomia, ou esterilização masculina, consiste no corte do canal deferente, impedindo desta forma a passagem dos espermatozóides; continua a haver ejaculação, só que sem espermatozóides.

A regulação hormonal de todo o processo é iniciada na fase embrionária, mas é na puberdade que o processo se torna mais intenso. O hipotálamo aumenta a produção gonadotrofinas, estas estimulam a hipófise a segregar hormona lúteo-estimulante e folículo-estimulante, que desencadeia produção de testosterona pelas células de Leydig no testículo. A libertação de inibina pelas células de Sertoli regula a produção de espermatozóides conforme a necessidade, fechando o ciclo de auto-regulação hormonal.

Um dos problemas que mais afecta o testículo é a infertilidade e o aumento da temperatura de forma prolongada causa esse efeito por destruição da capacidade do testículo produzir espermatozóides. Era frequente quando se usavam fraldas de pano, por estas terem uma fraca capacidade de absorção de líquidos e fezes: o plástico que se usava para não passar para a roupa, acumulava, isolava e promovia a fermentação com relativa facilidade, produzindo calor. As novas fraldas separam os líquidos e as fezes da pele, e o risco de aquecimento excessivo é muito reduzido.

O hidrocelo deve-se ao aumento do líquido dentro do escroto, podendo gerar dor e aumento do tamanho do testículo. O varicocelo é uma inflamação das veias. Em algumas situações traumáticas, pode ocorrer a torção do testículo, que interrompe a circulação do mesmo e, se não for corrigida rapidamente, conduz à perda de vitalidade do testículo. O cancro do testículo é uma situação mais rara, e aparece habitualmente associado a infecções sexuais transmissíveis e a hábitos tabagistas.

A nossa estrutura protege-nos, o resto cabe-nos a nós…

Saúde!

4 comentários a “Os testículos”

[…] Em conjunto com a somatotropina (hormona do crescimento) e a insulina, aceleram o crescimento corporal, em particular o do sistema nervoso. Durante o desenvolvimento fetal, a falta ou insuficiência das hormonas da tiróide condicionam neurónios (células nervosas) mais pequenos e em menor número, deficiente mielinização dos neurónios e défice mental. Nos primeiros anos de vida, leva a baixa estatura e a fraco desenvolvimento de certos órgãos, nomeadamente do cérebro [2] e dos órgãos genitais [3, 4, 5]. […]

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