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Diversão

Por Gustavo Martins-Coelho

Na vida, há dois passatempos que aprecio: fazer planos e não os cumprir. Sou uma Penélope de agenda em punho.

Gosto mais de fazer planos sozinho. Mas prefiro incumpri-los acompanhado. Não gosto de que as pessoas me falhem [1]. Se não desfizermos juntos os planos, que graça tem ser deixado plantado no meio do deserto, com uma agenda na mão?

Os mestres da diversão são os ratos. Erma Bombeck [2] dixit:

Rodents have all of the fun. For years, [lab rats and mice] have been plied with booze, pot, cigarettes, birth-control pills, too much sunshine, cyclamates, caffeine, ear-splitting decibels, late hours, and diets of snack foods. […] How come there are more rats and mice than people?

Mas, já que não podemos enfrascar-nos em tudo o que faz mal, para os humanos, há outras diversões. Andar nas escadas rolantes em sentido contrário é a loucura! O meu professor de Biologia recomendava vivamente um episódio de telenovela por dia para aclarar as ideias. Foi um dos melhores professores que tive. Há ainda os concertos.

Mas os concertos têm o inconveniente de serem públicos. Um tipo paga para cima dum balúrdio para ir a um concerto e acaba a ter de ouvir o tipo do lado a karaokar em vez do artista! Não acho bem, não senhor! Eu, quando vou a um concerto, vou pela música. Há quem vá pela conversa, bem sei. No entanto, eu, para conversar, prefiro outros locais. Mas a verdade é que cada um sabe das suas preferências e ninguém tem o direito de julgar.

Há vários tipos de concertos. A vantagem dos de música contemporânea é que, se um dos instrumentos estiver desafinado, ou se um dos músicos se enganar, ninguém dá conta, porque aquilo já soa naturalmente mal. Está bem pensado.

Já o Abrunhosa não dá concertos. Faz manifestos. Eu também faço manifestos [3, 4, 5, 6]. Muitos. Mas os meus não têm sentido. Como muito do que digo.

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