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Consultório da Ria

O osso

Por Carlos Lima

O osso faz parte do sistema esquelético. É uma estrutura leve e resistente e, no seu conjunto, tem as seguintes funções: sustentação, protecção, movimento, armazenamento de sais minerais, hematopoiese e armazenamento de energia.

No que se refere à sustentação, os ossos oferecem apoio aos músculos, para permitir a forma que o corpo possui. Conferem protecção a vários órgãos internos, como é o caso do cérebro, com o crânio, e o coração e os pulmões, com a grelha fornecida pelas costelas e pelo esterno. Permitem o movimento, ao fornecer aos músculos pontos de inserção para os seus tendões e funcionando como alavancas. Armazenam sais minerais — principalmente cálcio e fósforo. São sede da hematopoiese — ou seja, a função de produzir células do sangue; este trabalho é realizado pela medula vermelha. Armazenam energia, sob a forma de gordura, na chamada medula amarela.

Os ossos podem dividir-se em vários tipos: longos, curtos, irregulares, planos (ou laminares) e sesamóides. Os longos são aqueles cujo comprimento é maior do que a largura; e o mais comprido é o fémur — o osso que vai da anca até ao joelho.

Os ossos curtos são os que têm quase as mesmas dimensões de largura e comprimento, ou seja, possuem um aspecto de cubo — temos o carpo e tarso, que são os ossos da mão e do pé, antes das falanges.

Os ossos planos ou laminares são habitualmente finos e compostos por duas camadas de osso duro e uma parte interna de osso esponjoso; são exemplos as costelas, a omoplata e o crânio.

Os ossos irregulares são diferentes e não se podem incluir em nenhuma das categorias anteriores, devido à complexidade das sua estrutura; são exemplo destes as vértebras.

Os ossos sesamóides são ossos inseridos num tendão, como é o caso da rótula.

Apesar do seu aspecto duro, o osso não é completamente compacto: ele possui uma rede de estruturas em favo, que lhe permite ser leve e resistente. No interior do osso mais duro, existe o chamado osso esponjoso, que cria uma estrutura de apoio ao próprio osso e gera condições para que o osso desempenhe as outras funções, nomeadamente a formação de células de sangue (ou hematopoiese).

O osso forma-se pelo processo de calcificação, ou seja, deposição de cálcio numa rede de colagénio, que endurece e forma osso. O osso está em constante renovação, através da acção conjunta das células que o renovam (células osteoprogenitoras — osteoblastos e osteócitos), e das células que o destroem (os osteoclastos), com o objectivo da renovação, ou simplesmente por necessidade de sais minerais noutras partes do corpo.

O corpo humano possui 270 ossos no bebé e 206 ossos no adulto, porque muitos ossos se vão fundindo e substituindo a cartilagem, até formarem osso definitivo, e porque na cabeça do bebé os ossos do crânio vêm separados para reduzir tamanho e adaptar a cabeça do bebé ao canal do parto.

O fémur (osso que vai da coxa até ao joelho) é o maior osso humano e o mais resistente, conseguindo suportar a pressão de 1,2 toneladas por cm2. O osso mais pequeno é o estribo; situa-se no ouvido médio e mede cerca de 2,5 mm.

O maior problema da saúde do osso é a fractura, habitualmente traumática. A osteoporose é uma descalcificação do osso; é mais comum na mulher após a menopausa, quando esta não faz a preparação alimentar adequada desta fase da vida, mas pode aparecer em qualquer idade, se o regime alimentar não for adequado. Aos indivíduos anorécticos (em regra, jovens) é por vezes diagnosticada osteoporose na sequência duma fractura óssea.

Cuidar do seu osso é em grande parte cuidar da sua alimentação: fazer uma alimentação equilibrada vai permitir que ela forneça todos os nutrientes necessários à formação óssea, sem esquecer a importância que a luz solar tem para os mecanismos da calcificação óssea. Depois, é só confiar as suas estruturas nobres à capacidade que o osso tem de protegê-las…

Saúde!

19 comentários a “O osso”

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