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Consultório da Ria

As unhas

Por Carlos Lima

A unha é composta por uma proteína rígida, chamada queratina, e é uma forma modificada de cabelo, mas a sua estrutura de células muito juntas confere-lhe um aspecto mais rígido.

Cada unha é constituída por três partes: corpo ou leito ungueal, margem livre e raiz.

O corpo é a parte visível da unha e vai desde a raiz até à parte livre. É habitualmente rosada, devido à grande irrigação sanguínea que se encontra por baixo dela. Junto da raiz, tem a lúnula ou meia-lua, que é de cor branca, pois por baixo dela os vasos sanguíneos não estão tão visíveis.

A margem livre é a parte da unha que destaca na ponta do dedo e permite agarrar pequenas coisas. É a parte que cortamos quando cuidamos das unhas.

A raiz é a parte da unha não visível, ou seja, a que está escondida debaixo da pele; é aqui que a unha cresce, quando as células da matriz endurecem com a presença da queratina e doutras proteínas. A unha é um conjunto de células mortas que vão sendo empurradas desde a raiz, a um ritmo de aproximadamente um milímetro por semana, nas mãos, e um a dois milímetros por mês, nos pés. Tratando-se de células mortas e de crescimento tão lento, com custos energéticos tão baixos, as unhas continuam a crescer por cerca de três semanas mesmo depois da morte do indivíduo.

As funções da unha relacionam-se com a preensão e a manipulação de pequenos objectos e pela protecção que oferece aos dedos; para além disso, permite-nos coçar quase todas as partes do corpo. O facto da unha ser dura aumenta a sensibilidade dos dedos, pois permite comprimir os objectos contra a polpa do dedo, activando as terminações nervosas que estão debaixo da unha e protegidas por ela. Estas terminações nervosas existentes no leito da unha são a razão pela qual os traumatismos que envolvem a unha são tão dolorosos.

As doenças que mais afectam a unha são os traumatismos. Em muitas circunstâncias, são eles que desencadeiam ou criam condições para que outras doenças se instalem. Quando os traumatismos acontecem na raiz das unhas, deixam pontos esbranquiçados, por haver infiltração de ar na base de queratina — tal como acontece na formação dos cabelos brancos. Quando acontecem no leito ungueal, deixam um hematoma extremamente doloroso, pela pressão que gera nas terminações nervosas. A drenagem deste hematoma traz um alívio imediato.

Unhas encravadas são muito comuns. As causas normalmente são o uso de calçado apertado e a ocorrência de traumatismos, sendo mais frequentes no dedo grande do pé (hálux). São muito dolorosas e desenvolvem facilmente infecções, pelo que devem ser tratadas tão prontamente quanto possível. Um corte adequado da unha é uma boa medida preventiva. Há que deixá-la crescer e cortá-la em linha reta.

As infecções por fungos (micoses) causam deformidades nas unhas e ocorrem principalmente no pé, porque os fungos gostam de ambientes quentes e húmidos e o calçado ajuda a criar essas condições. Já as infecções ungueais por bactérias causam vermelhidão e tumefacção em volta das unhas e estão frequentemente associadas a traumatismos.

Como pudemos analisar, as unhas desempenham um papel importante na protecção dos dedos e ajudam no tacto e na manipulação de objectos pequenos. Cuidar delas é, na sua essência, manter um ambiente limpo e seco e cortá-las com os instrumentos adequados e de uso pessoal. Roer as unhas é um mau hábito, pois cria um ambiente húmido que favorece as doenças das unhas; ao mesmo tempo, acrescenta o risco de engolir a parte roída, que, mesmo amolecendo no tubo digestivo, pode dar origem a perfurações intestinais, nomeadamente ao nível do apêndice e fístulas perianais.

Saúde!

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