Categorias
Consultório da Ria

O sistema endócrino

Por Carlos Lima

O sistema endócrino, ou hormonal, em conjunto com o sistema nervoso, coordena todos os aparelhos e sistemas do corpo humano. Certas partes do sistema nervoso estimulam a libertação de hormonas e as hormonas, por sua vez, podem provocar ou inibir o impulso nervoso. O sistema endócrino altera a actividade metabólica, regula o crescimento e o desenvolvimento e orienta os processos reprodutivos.

O corpo humano possui dois tipos de glândulas hormonais: as endócrinas e as exócrinas. As glândulas endócrinas segregam hormonas que são transportadas pelo sangue e sistema linfático e consistem na hipófise, na tiróide, nas paratiróides, nas suprarrenais, na epífise e no timo. As glândulas exócrinas são as que segregam substâncias para as cavidades com contacto directo com o exterior, ou diretamente para o exterior; é o caso das glândulas sudoríparas, das sebáceas, das mucosas e das digestivas [1, 2, 3].

Existem também órgãos ou tecidos que, não tendo como função produzir hormonas, conseguem produzi-las, como é o caso do fígado [1], do pâncreas [2], do hipotálamo [4], dos ovários [5], dos testículos [6], do rim [7], do intestino delgado [8], da pele, do coração [9] e da placenta (durante a gravidez).

A libertação de hormonas no corpo é regulada pela necessidade que o organismo tem delas. Existem receptores sensíveis à presença de determinadas substâncias que activam ou inibem a libertação de hormonas. Como algumas hormonas produzem efeitos muito fortes, o risco da produção excessiva é profundamente prejudicial, pelo que o nosso corpo possui um processo de regulação, isto é, a libertação de hormonas precisa dum mecanismo de confirmação do pedido dessas hormonas, ou seja, há receptores que pedem o aumento da produção, mas os que a limitam não podem estar activos, e vice-versa. Este mecanismo garante que as hormonas produzidas são as absolutamente necessárias. Dá-se como exemplo a insulina, produzida no pâncreas [2]: se estivesse sempre a ser libertada, ou nós estaríamos sempre a comer ou morreríamos com falta de glicose (açúcar) no sangue. Com o mecanismo de regulação, a insulina só é produzida quando os receptores detectam a chegada de glicose ao sangue, e o pâncreas pára de produzir insulina quando a produzida é suficiente para gerir a glicose presente no sangue.

Apesar das hormonas circularem por todo o corpo através da corrente sanguínea, cada hormona só afectará o tipo de célula sobre a qual produz efeito. A célula alvo possui receptores que se ligam a essa hormona. Após desempenhar a sua função na célula alvo, a hormona é degradada ou transformada para deixar de estar activa e é habitualmente eliminada pelo rim [7] ou pelo fígado [1].

Não existem doenças que afectem o sistema endócrino como um todo; contudo, existem doenças que, afectando uma glândula ou a actuação duma hormona em particular, afectam todo o organismo. É disso exemplo a diabetes mellitus, que está relacionada com a produção de insulina e cujas consequências, quando não controlada, afectam o organismo como um todo. Também o aumento da secreção da tiróide (hipertiroidismo) aumenta o metabolismo, a produção de calor e a necessidade do indivíduo comer.

Este aspecto assume particular importância, porque a continuidade da desregulação hormonal pode conduzir a problemas muito graves e a consequências irreversíveis.

O sistema hormonal ou endócrino obriga-nos a olhar o corpo como um só; assume um papel importante na manutenção, na regulação, no desenvolvimento, no equilíbrio, na defesa e na reprodução; está presente e activo por todo o organismo. Cuidar dele é cuidar de si, do seu próprio bem-estar.

Saúde!

14 comentários a “O sistema endócrino”

[…] Já todos nós, em algum momento da vida, tivemos a sensação de sede — ainda que ela possa ter aparecido como um simples sensação de secura de boca e garganta, que rapidamente desaparece com a ingestão de líquidos que as humidifiquem. Apesar de parecer um acontecimento simples, a sensação de sede requer processos muito sensíveis de avaliação da qualidade dos líquidos corporais ao nível do hipotálamo [1, 2]. […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *