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O «meu» livro

Por Ana Raimundo Santos

Na vida, todos temos livros, filmes e músicas que nos marcam e nos acompanham ao longo do caminho, os quais revisitamos sempre, mais uma vez em busca dum conforto da alma, ainda que ilusório.

Com quinze anos, li, pela primeira vez, um dos livros da minha vida — «Os Maias» [1].

— Obviamente, Eça! — dirão os que mais e melhor me conhecem; e não se enganam.

Com o fascínio que devotamos aos génios, li e absorvi com a máxima atenção o Mestre e deixei-me embrenhar na estória de amor incestuoso de Carlos da Maia e de Maria Eduarda, nas aventuras e desventuras de João da Ega, nos disparates de Dâmaso Salcede e no lodaçal que o autor descrevia como sendo a sociedade da época.

Cinco anos depois, ao fazer vinte, embrenhei-me, novamente, na leitura do livro que marcou os meus quinze anos. Voltei a adorar cada palavra, apreciei doutra forma a descrição do Ramalhete e percebi que os cinco anos volvidos desde a primeira vez haviam mudado a minha postura perante as estórias daquela estória.

— Interessante — recordo-me de ter pensado para mim própria.

E, num ímpeto de curiosidade e impulsividade, decidi que voltaria a ler o livro a cada cinco anos; quando completei 25, voltei a fazê-lo e, no ano que passou, durante as minhas trinta primaveras, cumpri a «tradição».

Devo admitir que, quinze anos depois da primeira vez, a experiência foi fabulosa. Daqui a quatro anos, vou voltar a ler o meu livro e voltar a sentir que, apesar dos anos, continuo a sentir aquelas palavras, aquelas personagens e aquelas estórias como parte de mim.

«Os Maias» são, desde a primeira leitura, um dos livros da minha vida, nunca o neguei. Já vi algumas representações em teatro, mas aguardo ansiosamente o filme [2] de João Botelho [3], em relação ao qual alimento a secreta esperança de que não me desiluda!

A ver vamos!

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