Categorias
Consultório da Ria

A paratiróide

Por Carlos Lima

A glândula paratiróide é uma glândula endócrina [1] com quatro lóbulos separados, do tamanho duma ervilha cada um, situados por trás da tiróide [2], e produz hormona paratiroideia (PTH), que está envolvida na regulação da concentração do cálcio e do fosfato no sangue.

O seu nome deriva da proximidade da tiróide [2] (para- quer dizer «ao lado»), mas tem funções independentes, ainda que se regulem mutuamente, no que diz respeito ao cálcio e ao fosfato. Beneficia do fornecimento de sangue das artérias tiroideias e a drenagem linfática [3] é feita para os vasos linfáticos profundos, junto à traqueia.

A principal função das paratiróides é manter o nível de cálcio e de fosfato dentro dos limites apropriados ao funcionamento dos sistemas nervoso e muscular. Possui receptores de cálcio na glândula, que são activados quando este elemento atinge determinado nível, libertando hormona paratiroideia na corrente sanguínea, para evitar que o nível de cálcio baixe.

O seu efeito é o oposto ao da calcitonina, produzida pela tiróide [2], ou seja: enquanto a calcitonina ajuda a depositar o cálcio no osso, retirando-o do sangue, a hormona paratiroideia retira o cálcio do osso e aumenta a absorção do cálcio pelo intestino, através da activação da vitamina D, para elevar o nível de cálcio no sangue. Ao nível do rim [4], o efeito é idêntico: a calcitonina aumenta a filtração de cálcio e a sua eliminação pela urina; a hormona paratiroideia estimula o retorno do cálcio ao sangue, evitando a eliminação renal. Já em relação ao fosfato, produzem o efeito contrário, ou seja: a calcitonina estimula o retorno do fosfato do filtrado renal para o sangue e a hormona paratiroideia limita essa absorção, fazendo com que o fosfato seja eliminado pela urina.

Este mecanismo de regulação entre a calcitonina e a hormona paratiroideia é chamado retro-regulação e permite gerir, por duplo controlo, a função de hormonas com efeitos contrários.

As doenças que estão relacionadas com as paratiróides são o hiperparatiroidismo e o hipoparatiroidismo.

O hiperparatiropidismo é um aumento da libertação da hormona paratiroideia e faz com que exista um aumento do cálcio circulante no sangue (hipercalcemia) e uma diminuição de fosfato (hipofosfatemia). Esta relação faz com que o indivíduo seja afectado como um todo, pois o cálcio está envolvido na contracção muscular, na actividade do sistema nervoso e na formação do sistema ósseo. Com excesso de cálcio circulante no sangue, a contracção muscular [4] perde qualidade e surgem fadiga, dores abdominais e emagrecimento. A nível do sistema nervoso, surgem sonolência, falta de concentração e confusão mental. A nível ósseo [5], surgem dores e risco de fracturas, porque o osso é fragilizado e não se consegue formar novo osso (surge a osteoporose).

O hipoparatiroidismo é a diminuição da hormona paratiroideia, o que faz com que o cálcio circulante no sangue baixe (hipocalcemia). As manifestações a nível do sistema muscular [4] incluem: cãibras; tetania, ou incapacidade do músculo descontrair; parestesias; e convulsões. Há alterações cardíacas [6] na condução. No sistema nervoso, podem aparecer convulsões e atraso mental.

A saúde da glândula paratiróide depende da presença de cálcio e fosfato na alimentação e da formação da vitamina D. Estes podem ser encontrados no iogurte, no queijo, no leite, no água (há algumas águas engarrafadas pobres em cálcio), nos legumes, nas leguminosas secas e no peixe. Quando há doença associada, é necessária intervenção médica, para a sua correcção.

Saúde!

2 comentários a “A paratiróide”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *