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Consultório da Ria

A hipófise

Por Carlos Lima

A hipófise, ou glândula pituitária, está situada numa estrutura óssea denominada sela turca, inserida no crânio e localizada debaixo do cérebro [1]. Tem o formato duma pêra, mas é do tamanho duma ervilha. A hipófise possui dois lobos, o anterior (adeno-hipófise, que produz e liberta hormonas) e o posterior (neuro-hipófise, que armazena e liberta algumas hormonas). Como a hipófise controla o funcionamento da maioria das outras glândulas endócrinas [2], com frequência recebe o nome de glândula principal; no entanto, a sua actuação é controlada pelo hipotálamo. Produz uma grande quantidade de hormonas, sendo que cada uma actua sobre uma parte específica do corpo (o órgão ou glândula ao qual se dirige a hormona).

A adeno-hipófise produz e liberta sete hormonas: estimulante do melanócito, corticotropina, folículo-estimulante, luteinizante, do crescimento ou somatotropina, estimulante da tiróide e prolactina.

A hormona estimulante dos melanócitos beta actua sobre a pele e destina-se a tornar a pele mais escura — o bronzeado — para nos proteger da radiação solar.

A corticotropina actua sobre a glândula supra-renal, estimulando a produção de cortisol, que é um corticosteróide natural, produzido pelo corpo.

A hormona folículo-estimulante actua nos ovários [3] e nos testículos [4], favorecendo o crescimento e o amadurecimento das células reprodutoras (o óvulo e os espermatozóides). É determinante para o aparecimento das características sexuais secundárias nos rapazes e nas raparigas, durante a puberdade.

A hormona luteinizante estimula o ovário [3] a produzir estrogénio e progesterona na mulher e, no homem, a produção de testosterona pelos testículos [4].

A hormona do crescimento, ou somatotropina, actua sobre os músculos [5] e os ossos [6], controlando o crescimento em geral do corpo; e regula o metabolismo. Atinge o seu pico máximo na fase de maior crescimento, durante a adolescência.

A prolactina actua sobre a glândula mamária [7], fazendo a mama crescer, e estimula a produção de leite. Está aumentada em cerca de vinte vezes durante a gravidez e a amamentação. Tal como a oxitocina, aumenta após o orgasmo, pelo que se crê estar associada ao prazer sexual.

A hormona estimulante da tiróide estimula a libertação das hormonas da tiróide [8].

A neuro-hipófise armazena e liberta três tipos de hormonas: endorfinas, oxitocina e antidiurética.

As endorfinas e a encefalina são produzidas no cérebro e armazenadas na neuro-hipófise, destinando-se ao combate da dor aguda e a produzir uma sensação de bem-estar, por exemplo, após a actividade física e o orgasmo. Têm um efeito semelhante à morfina.

A oxitocina estimula as contracções uterinas durante o trabalho de parto e a ejecção de leite durante a mamada do bebé. É também conhecida como a hormona do amor, por se verificar um aumento em cerca de 40% após o orgasmo.

A hormona antidiurética tem com alvo o rim e evita a perda de líquidos pela urina. É activada quando há uma baixa súbita da pressão arterial, por exemplo devido a hemorragias, para manter no corpo o máximo de água. É inibida pela acção do álcool, o que leva a idas frequentes à casa de banho, quando da sua ingestão, e à sensação de sede, como efeito da ressaca.

As doenças que mais afectam a hipófise estão relacionadas com o risco de compressão da própria hipófise. Dado que a sela turca, que serve para proteger a hipófise, é um pequeno orifício no osso, o crescimento da hipófise gera compressão e leva ao aparecimento de dores de cabeça (cefaleias) e alterações visuais.

Outras doenças estão associadas à libertação hormonal da hipófise e à actuação das próprias hormonas das outras glândulas afectadas. No entanto, a hormona do crescimento tem uma acção directa e uma diminuição desta hormona, na fase de crescimento, conduz ao nanismo, enquanto o seu aumento conduz ao gigantismo.

Não há uma acção específica para melhorar o funcionamento da hipófise, mas hábitos saudáveis a nível alimentar e de repouso parecem não só favorecer o seu desempenho, mas também melhorar a sua relação com o cérebro [1]

Saúde!

3 comentários a “A hipófise”

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