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Transporte Humano

O princípio do fim do crescimento das deslocações de carro?

Por Jarrett Walker [a]

Melinda Burns apresenta um novo estudo da Miller-McCune [2], contendo algumas notícias surpreendentes:

Um estudo em oito países industrializados [3], incluindo os Estados Unidos da América, mostra que a tendência aparentemente inexorável — cada vez mais pessoas, mais carros e mais viagens de carro — parou nos primeiros anos do século XXI, bem antes da recente escalada dos preços dos combustíveis [4]. Poderia ser um sinal, disseram os pesquisadores, que a demanda por viagens ea demanda por posse de carro nesses países chegou a um ponto de saturação.

O estudo é do Lee Schipper [5] e do meu antigo colega Adam Millard-Ball. A compra de automóveis está a abrandar também:

Há sinais de saturação na propriedade de veículos, também, em cerca de 700 carros por 1.000 pessoas nos EUA — mais carros do que motoristas habilitados [6] — e cerca de 500 carros por 1.000 pessoas no Japão e na maioria dos países europeus. A propriedade de carros diminuiu nos EUA desde 2007, por causa da recessão.

Será interessante ver como recupera o mercado automóvel quando os EUA emergirem da recessão, o que obviamente depende de quando e com que rapidez essa saída acontecer. Há certamente alguns sinais de que a alternativa urbana sustentável à aquisição de automóveis — a vida urbana dependente dum conjunto de opções, incluindo o transporte colectivo, a bicicleta, a caminhada, e a partilha de carros — está a sair-se melhor na recessão do que a vida dependente do carro. Se assim for, talvez nunca vejamos o número de automóveis voltar ao valor de 2007.

A propriedade automóvel ainda está a subir no mundo em desenvolvimento, naturalmente, mas Schipper duvida de que possa continuar.

— A minha tese básica é: não há espaço na estrada — disse ele. — Uma pessoa não consegue deslocar-se em Jacarta ou Bamguecoque, ou em qualquer grande cidade da América Latina, ou em qualquer cidade da parte rica da China. Acho que Manila leva a palma. Sim, a economia de combustível é realmente importante e, sim, os veículos híbridos vão ajudar. Mas até mesmo um carro que não gere dióxido de carbono ainda gera um problema de tráfego. Infelizmente, o que mais vai restringir o uso do carro é que uma pessoa não conseguirá mover-se.

Bem, se as cidades do mundo em desenvolvimento não estivessem a crescer horizontalmente, criando mais espaço para o trânsito, eu estaria mais confiante nesta opinião. Mas é definitivamente encorajador.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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