Categorias
Consultório da Ria

As glândulas supra-renais

Por Carlos Lima

As glândulas supra-renais são glândulas endócrinas [1], situadas por cima dos rins [2]. Tal como os rins [2], são duas e, apesar de serem pequenas em tamanho, beneficiam dum elevado fornecimento de sangue. Cada uma das glândulas apresenta dois tipos de tecidos — córtex e medula —, com funções e secreção de hormonas diferentes; devido à sua origem diferente ao nível das células embrionárias, existem cientistas que as consideram quatro, em vez de duas glândulas.

O córtex supra-renal está dividido em três zonas, e cada zona segrega tipos de hormonas diferentes. A zona externa segrega mineralocorticóides, que ajudam na regulação dos minerais do corpo, em particular do sódio e do potássio e, pela relação que se estabelece entre a água e o sódio, regulam também o equilíbrio corporal da água. A zona média produz os glicocorticóides, que regulam o sistema de fornecimento de energia, em particular pela glicose. A zona interna produz pequenas quantidades de androgénios (hormonas sexuais masculinas).

A medula supra-renal é um conjunto de células do sistema nervoso especializadas na libertação de hormonas. A sua acção é controlada directamente pelo sistema nervoso e a sua resposta é muito rápida. Liberta adrenalina e noradrenalina.

As hormonas mineralocorticóides controlam os minerais do corpo, sendo que a aldosterona, sozinha, responde por mais de 95% deste controlo. É ela que actua sobre as células do rim, para aumentar a reabsorção de sódio presente no líquido filtrado, ou seja, faz voltar ao sangue o sódio que estaria pronto para ser eliminado pela urina. Como a água e o sódio no corpo humano andam sempre juntos, o sódio ao voltar para o sangue leva consigo a água; daí ser importante no controlo do doente hipertenso (tensão alta) a diminuição do consumo de sal (o sódio, sob a forma de cloreto de sódio, é o vulgar sal). A aldosterona também regula a eliminação do potássio, no sentido inverso ao sódio, ou seja: quanto mais sódio é reabsorvido para o sangue, mais potássio é libertado pela urina, e vice-versa. O aumento de potássio no sangue é suficiente para levar à libertação de aldosterona, conduzindo à sua eliminação pela urina.

Os glicocorticóides então envolvidos no metabolismo e na resistência ao estresse. Asseguram a energia necessária aos processos vitais; servem de alerta para situações de estresse como o medo, a altitude ou as temperaturas extremas, promovendo a libertação de «bombas de energia»; no caso de haver uma perda de sangue, ajudam a subir a tensão arterial; têm uma acção anti-inflamatória, ajudando a controlar os processos inflamatórios. A hormona que mais se destaca deste grupo é o cortisol.

Os androgénios são importantes na puberdade, ao ajudar ao aparecimento das características sexuais secundárias. Na mulher, são responsáveis pelo aparecimento de algumas características masculinas, como o hirsutismo (aparecimentos de pêlos e buço).

A adrenalina e a noradrenalina são de libertação instantânea e permitem a reacção de «luta ou fuga» perante situações de risco iminente de vida, como o medo, a diminuição da temperatura… Aceleram o ritmo cardíaco, aumentam a frequência respiratória, fazem subir a tensão arterial, aumentam a capacidade muscular e ajudam a libertar as «bombas de energia», para as reacções rápidas. Nas diversões em que se simulam as condições de risco de vida, até se costuma dizer que nos «põem a adrenalina aos saltos», ainda que a realidade seja exactamente a inversa: a adrenalina é que nos põe aos saltos.

As hormonas das glândulas supra-renais interagem com hormonas vindas doutras glândulas e sofrem a influência delas, como acontece com a tiróide [3] e com a hipófise [4].

As doenças que afectam as supra-renais estão relacionadas com as alterações na produção e libertação das hormonas e com a tradução que estas podem ter em termos gerais.

Saúde!

3 comentários a “As glândulas supra-renais”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *