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Olho Clínico

Regresso ao Hospital

Por Sara Teotónio Dinis

A sensação de regresso invadiu-me sem grande entusiasmo. Retomei o caminho tantas vezes percorrido durante os seis anos de curso. Os elevadores são os mesmos. O bulício matinal também… Gostaria de saber quantos milhares de pessoas entram e saem diariamente daquele hospital. Sim, o número deve ascender às quatro casas!…

Tento encarar os estágios como realidades transitórias, indispensáveis à minha formação. São meses passageiros, que não exigem de mim mais nada, a não ser que absorva a parte de conhecimento que me é permitida adquirir e que permaneça na minha condição de colega «de fora». Contudo, no hospital, assistir impávida e serena é um exercício difícil.

Não gosto de voltar a acompanhar as visitas à enfermaria, que entram e saem dos quartos sem cumprimentar os doentes e onde se discutem os casos única e exclusivamente na perspectiva da doença, ignorando propositadamente o olhar perdido e assustado de quem não entende patavina dos termos médicos aplicados à situação que está a vivenciar.

Não é com surpresa que assisto às consultas de cinco minutos, mas isso não quer dizer que acredite na sua eficiência e eficácia, em tão pouco tempo útil.

Dizia uma colega minha que «já não estava habituada à despersonalização». Eu também não… Ataca-me com um prurido indescritível, bem capaz de me inflamar noutros tempos… Por agora, limito-me a deixar avançar o grupo dominante e a tentar dizer algo mais sem que ninguém me veja.

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