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O quarto-de-banho das mulheres e a filosofia geral do quarto-de-banho

Por Gustavo Martins-Coelho

Apesar de terem de viver a habitual fila para o quarto-de-banho, ser mulher também tem as suas vantagens. Por exemplo, ninguém estranha se uma mulher disser:

— Vou ao quarto-de-banho — e outra responder:

— Vou contigo.

Se esta conversa acontecer entre dois homens, faz franzir sobrolhos. Incomoda.

Nunca percebi por que as mulheres vão sempre aos pares ao quarto-de-banho. Uma vez, como actividade de praxe — sim, eu andei metido nessa coisa hedionda chamada praxe académica e não me arrependo —, na faculdade, pedi a uma caloira que escrevesse uma composição subordinada ao tema: «o quarto-de-banho feminino, esse maravilhoso mundo, ou por que as mulheres vão sempre aos pares». Recebi um texto bastante interessante, do ponto de vista literário, mas muito pouco instrutivo, do ponto de vista da dúvida que pretendia ver esclarecida. Deve haver algum pacto de silêncio, entre as mulheres, sobre o assunto. Há muitos — demasiados — pactos de silêncio entre as mulheres. É impossível compreendê-las. Creio que, na verdade, nem elas se compreendem umas às outras. Ou talvez se compreendam e por isso se odeiem tanto.

De facto, já me resignei a nunca vir a ser capaz de entender as mulheres. São bichos cruéis e desumanos e merecem ser tratadas como tal, infligindo-se-lhes todo o sofrimento imaginável. Não há como as mulheres para tirarem conclusões precipitadas. Uma coisa aqui, outra ali, somas cinco e toda a força se esvai. A fachada cai e deixa exposta toda a fragilidade duma menina assustada, que precisa, antes de mais, de protecção. Mas, quando pensas que a conheces e estamos bem encaminhados, espeta-te uma facada nas costas.

Não quiseste dar-me o nada que te pedi, ficaste sem o muito que poderia dar-te.

Fazemos tudo para sair dum local, e, quando finalmente conseguimos, encontramos uma razão para ficar. A sanita não vai andar atrás de ti depois de a usares.

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