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Consultório da Ria

A gravidez

Por Carlos Lima

A gravidez é um processo natural e fisiológico. A evolução do bebé dentro da barriga da mãe obriga a que o corpo materno sofra algumas alterações, que se relacionam com o tamanho do bebé e do útero [1], mas também a nível geral — primeiro, para suportar o peso e, depois, para permitir o trabalho de parto.

No primeiro mês (e até ao terceiro), o bebé é conhecido como embrião. Nesta etapa, são formados o coração, os pulmões e o tubo neural. O coração começa a bater por volta do 25.º dia. O tubo neural é a estrutura que vai dar origem ao cérebro e à medula espinhal. O embrião mede aproximadamente nove milímetros e pesa meio grama.

O corpo da mãe apresenta poucas alterações externas. Podem surgir enjoos matinais e alterações nas mamas, como o escurecimento da aréola mamária, devido à carga hormonal mais elevada.

No segundo mês, aparece a placenta, a qual faz a troca de substâncias nutritivas e oxigénio para o bebé e elimina os produtos de resíduos produzidos pelo bebé. Formam-se as orelhas, os tornozelos e as pálpebras. Começam a distinguir-se os dedos das mãos e dos pés. No final do segundo mês, mede quatro centímetros e pesa cinco gramas.

A mãe pode sentir fadiga e necessitar de descansar. Dá-se um aumento do fluxo de sangue e os batimentos cardíacos são mais elevados.

No terceiro e quarto mês, o feto já se move, dá pontapés, engole. Começa ouvir as vozes do exterior. A pele é rosada e transparente. A placenta está completamente formada. Pelo final do quarto mês, o feto mede aproximadamente quinze centímetros e pesa 93 gramas.

A mãe poderá sentir mais apetite e menos energia. Até ao final deste mês (16-20 semanas), provavelmente sentirá, pela primeira vez, um leve movimento do bebé; a barriga aumenta, tornando-se claramente visível.

Ao quinto mês, aparecem as unhas. O feto dorme e acorda em intervalos regulares. No final do quinto mês, o feto mede cerca de 25 centímetros e pesa aproximadamente 245 gramas.

Se a mãe ainda não sentiu o bebé, vai senti-lo certamente nesta fase, de forma gradualmente mais forte.

No sexto mês, a pele do feto é vermelha e enrugada e está coberta de pêlo fino e suave. Já abre os olhos e os dedos das mãos e dos pés estão definidos. Mede aproximadamente trinta centímetros e pesa 640 gramas.

Na mãe, o útero [1] cresceu até perto do umbigo. O coração [2] bate mais rápido. Pode sentir-se cansada com as actividades do dia-a-dia. Sente o bebé a mexer de forma vigorosa.

Ao sétimo mês, o feto pode abrir e fechar os olhos, chupar o dedo, chorar, bocejar e já se espreguiça. Responde à luz e ao som que lhe chegam do exterior. Está completamente formado; falta-lhe apenas o líquido que lubrifica o pulmão. Mede quarenta centímetros cm e pesa 1.200 gramas.

Na mãe, há um crescente aumento de peso; pode aparecer edema, principalmente nos pés, e dores nas costas. Pode sentir contracções isoladas.

Ao oitavo mês, o crescimento do cérebro continua rápido. O feto já está demasiado grande para se mover à vontade. Os ossos da cabeça são suaves e flexíveis, para que seja mais fácil ao bebé passar pelo canal do parto. Já mede 45 centímetros e pesa 2.500 gramas.

A mãe pode sentir zonas de maior pressão, como os pés e os cotovelos. As ancas alargam e a barriga continua a crescer rapidamente. Precisa de urinar com mais frequência e pode sentir obstipação. É uma fase de grande ansiedade e de muitas dúvidas.

No nono mês, ou pelas 38 ou quarenta semanas, o desenvolvimento do bebé chegou ao fim. Os pulmões do bebé estão prontos para funcionar. Durante esse mês, o bebé aumenta cerca de 250 gramas por semana. No final do tempo gestacional, mede cerca de cinquenta centímetros e pesa 3.200 gramas.

A mãe vai sentir contracções regularmente, mas é com a aproximação do trabalho de parto que elas se tornam rítmicas e em intervalos cada vez mais curtos. Estão ambos prontos para o iniciar o trabalho de parto.

A alimentação da grávida é para dois e não por dois, pelo que a grande variedade e a qualidade dos nutrientes é que é fundamental, sem esquecer a água. Uma boa hidratação evita ou atenua muitas das complicações da gravidez, como as estrias, as infecções urinárias, as dificuldades em defecar, entre outras.

Uma vigilância regular pode evitar a pré-eclâmpsia, que tem a sua origem numa subida da tensão arterial. O movimento do bebé é um dos indicadores do seu bem-estar.

Saúde!

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