Categorias
Olho Clínico

Tudo de novo

Por Sara Teotónio Dinis

Hoje foi dia da avaliação de Dermatologia, o meu primeiro estágio opcional. Foi um mês que passou a correr; e o exame oral já estava marcado, ainda eu não tinha tido a avaliação da valência de Medicina Geral e Familiar 1.

A partir de Novembro, sucedem-se os seguintes estágios opcionais: Medicina Interna, Ortopedia e Cardiologia. No final de cada um destes estágios, tenho de fazer um relatório de estágio e sou submetida a exame oral.

Em suma, é como se estivesse de novo a frequentar a faculdade de Medicina! De novo pelas enfermarias do hospital, a seguir um tutor, a aprender a semiologia, a praticar o exame físico parcial. E a estudar por módulos. E a apontar patologias e dados dos doentes em tabelas, para facilitar o tratamento estatístico dos dados para o relatório, qual secretária clínica.

No final do internato, as avaliações finais de cada um destes estágios contam muito pouco (alguém tinha feito a conta e dava 0,03% por cada mês de estágio) — o que conta mesmo é o exame final, que está dividido em relatório final, exame prático, exame teórico e entrevista. No relatório final, vai a súmula de todos os relatórios que farei no final de cada estágio, ao longo do internato.

Vou, portanto, ser avaliada a dobrar… E metade das avaliações que vou fazendo são tal qual as cadeiras que tive na faculdade… Este déjà-vu não é quase uma afronta ao trabalho conseguido nos três anos clínicos da faculdade?

Não haverá outra forma de avaliar os internos de Medicina Geral e Familiar? É mesmo preciso fazer tantos relatórios? Não será mais profícuo fazer um trabalho inovador em cada estágio, em vez de «um relato dum mês na vida dum interno de MGF no hospital», que é sempre muito parecido (e por vezes igual) a tantos outros que fizeram os mesmos estágios no ano passado?

Ficam as questões.

Um comentário a “Tudo de novo”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *