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Consultório da Ria

A herança genética

Por Carlos Lima

A hereditariedade é a passagem de traços característicos duma geração à seguinte, ou seja, de pais para filhos. O núcleo das células humanas possui vinte e três pares de cromossomas, excepto as células sexuais (óvulo e espermatozóides), que apenas têm uma parte da cadeia de cromossomas, ou seja: o ovo recebe metade da cadeia de cromossomas da mãe e metade do pai.

Os cromossomas que constituem o mesmo par são chamados cromossomas homólogos, porque contêm o mesmo conjunto de características, metade vinda da mãe e metade vinda do pai. Por exemplo, a cor dos olhos junta no mesmo par de cromossomas a carga genética da mãe e a carga genética do pai relativa a essa característica. Este raciocínio é válido para todas as características definidas hereditariamente.

Cada cromossoma é composto por genes, que se apresentam numa sequência igual dentro dos cromossomas do par. Aproveitando o exemplo cor dos olhos, por que é que o bebé nasce com olhos de determinada cor? Cada indivíduo tem uma combinação genética, ou genótipo, que determina a cor dos olhos, mas dentro dos genes que determinam a cor dos olhos, existem genes dominantes e genes recessivos. Os genes dominantes, quando se combinam com genes recessivos, traduzem a sua característica de dominante e o indivíduo vai apresentar as características dominantes, mas pode passar à geração seguinte as características do gene recessivo. Veja-se o exemplo: um pai com olhos azuis recebeu dos seus pais a característica «olhos azuis», resultado da característica «olhos azuis» da mãe e «olhos azuis» do pai, porque a cor azul dos olhos é recessiva. Dois pais de olhos azuis só podem ter filhos de olhos azuis. Já os pais com olhos castanhos podem ter filhos com olhos castanhos e com outras cores, porque o castanho é dominante sobre o gene da outra cor.

Quando se juntam dois genes dominantes ou dois genes recessivos, dizemos que que o indivíduo é homozigótico. Quando se juntam genes dominantes e recessivos, dizemos que o indivíduo é heterozigótico. Neste caso, os indivíduos que têm um determinado gene mas não o expressam são denominados portadores; este facto assume particular importância nalgumas doenças de transmissão hereditária, como é o caso da fenilcetonúria (diagnosticada pelo conhecido teste do pezinho) e da hemofilia, em que uma pessoa que não tem manifestações da doença pode transmiti-la ao bebé.

Existem ainda situações em que a dominância é incompleta, ou seja, mesmo recebendo genes dominantes dos dois pais, podem ou não ter manifestações dominantes.

No caso dos grupos de sangue, os indivíduos com sangue do tipo AB apresentam uma herança múltipla e podemos dizer que os genes são codominantes, pois podem ter filhos de todos os outros grupos sanguíneos.

A herança do sexo é diferente das restantes características, pois no par 23 há cromossomas diferentes para o homem. A mulher apresenta um par XX e o homem apresenta um par XY. A mulher produz óvulos com o cromossoma X. O homem produz espermatozóides com cromossomas X ou cromossoma Y; se o espermatozóide que fecundou o óvulo for X, teremos uma menina; se for Y, teremos um rapaz.

No meio ambiente há determinadas substâncias, agentes bacterianos e virais, que podem exercer mutações nos nossos genes; algumas podem fazê-lo de forma irreversível — dizemos que têm capacidade teratogénica. O álcool e o fumo do tabaco estão incluídos neste lote: quando consumidos durante a fase pré-concepcional (em ambos os sexos) e durante a gravidez, são responsáveis por muitas malformações fetais e doença mental; têm, no entanto, a vantagem de poderem ser eliminados atempadamente, promovendo a saúde dos pais e da criança.

 Saúde!

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