Categorias
O Fundamentalista Científico

Todos os estereótipos são verdadeiros, excepto… I — O que são estereótipos?

Por Satoshi Kanazawa [a]

Os «estereótipos» têm uma má reputação e toda a gente odeia estereótipos. Mas o que é um estereótipo, ao certo?

Aquilo a que as pessoas chamam «estereótipo» é o que os cientistas chamam «generalizações empíricas» e é a base da teoria científica. É isso que os cientistas fazem: generalizações. Muitos estereótipos são generalizações empíricas com base estatística e, portanto, em média, tendem a ser verdade. Se eles não fossem verdadeiros, não seriam estereótipos. O único problema dos estereótipos e das generalizações empíricas é que não são sempre verdadeiros, para todos os casos individuais. Eles são generalizações, não leis invariáveis. Há sempre excepções individuais aos estereótipos e às generalizações empíricas. O perigo reside em aplicar as generalizações empíricas a casos individuais, que podem ou não podem ser excepções. Mas essas excepções individuais não invalidam as generalizações.

Uma observação, se for verdade, torna-se uma generalização empírica, até que alguém objecta e, então, torna-se um estereótipo. Por exemplo, a afirmação: «os homens são mais altos do que as mulheres» é uma generalização empírica. Em geral, é verdade, mas há excepções individuais. Há muitos homens que são mais baixos do que a média das mulheres, e há muitas mulheres que são mais altas do que o homem médio, mas essas excepções não tornam a generalização falsa. Os homens, em média, são mais altos do que as mulheres em todas as sociedades humanas (e, a propósito, há explicações psicológicas evolutivas para este fenómeno, conhecido como o dimorfismo sexual de dimensão, mas é, talvez, matéria para um artigo futuro). Toda a gente sabe disso, mas ninguém considera que seja um estereótipo, porque não é indelicado com ninguém. Os homens, em geral, gostam de ser mais altos do que as mulheres; e as mulheres, em geral, gostam de ser mais baixas do que os homens.

No entanto, quando se altera um pouco a observação e se afirma, com igual verdade, que: «as mulheres são mais gordas do que os homens», isto torna-se um estereótipo, porque ninguém, muito menos as mulheres, quer ser considerado gordo. Mas é verdade, no entanto: as mulheres têm uma maior percentagem de gordura corporal do que os homens ao longo da vida (e há razões evolutivas para isso também). Mais uma vez, há inúmeras excepções individuais, mas a generalização permanece válida, a nível da população.

Os estereótipos e as generalizações empíricas não são nem bons nem maus, desejáveis ou indesejáveis, morais nem imorais. Apenas existem. Os estereótipos não nos dizem como nos comportarmos, ou tratar as outras pessoas (ou grupos de pessoas). Os estereótipos são observações sobre o mundo empírico, não prescrições comportamentais. Não se pode inferir como tratar as pessoas a partir de observações empíricas sobre elas. Os estereótipos dizem-nos o que grupos de pessoas tendem a ser ou fazer, em geral; mas não nos dizem como devemos tratá-los. Mais uma vez, não há lugar para «dever» na ciência.

Tratando-se de generalizações empíricas suportadas pela observação e experiência de milhões de indivíduos, a maioria dos estereótipos é, em geral, verdade. Se não forem verdadeiros, os estereótipos não podem sobreviver muito tempo. No entanto, a teoria e a investigação em psicologia evolutiva derrubaram alguns estereótipos e provaram que são falsos. Por alguma razão que eu não consigo entender, todos os estereótipos que foram provados falsos até agora têm a ver com a aparência física das pessoas. Nos próximos artigos, vou discutir cada um desses estereótipos que a teoria e a investigação da psicologia evolutiva têm demonstrado ser falsos.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *