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Consultório da Ria

O magnésio

Por Carlos Lima

O magnésio é um dos elementos químicos encontrados no corpo humano. Pertence ao grupo dos macrominerais [1], ou seja, são necessários mais de 100 mg por dia, fornecidos pela alimentação. Está espalhado por todo o corpo, mas é no osso [2] e dentro da célula [3] que atinge as maiores concentrações. É necessário para que muitas enzimas funcionem adequadamente; participa activamente na produção de energia celular e corporal; é decisivo para o aproveitamento da glicose [4] e para a transmissão do impulso nervoso; regula a função do cálcio [5] ao nível da contracção cardíaca e ao nível da contracção muscular, prevenindo as tão conhecidas cãibras, ou brecas; e regula a formação do osso [2] e do crescimento.

A concentração sanguínea do magnésio varia entre 1,3 e 2,5 mEq/l. No adulto, cerca de 50% do magnésio está no osso; 45% na célula. A regulação dos níveis de magnésio no sangue [6] é feita pelo rim [7]: quando a concentração aumenta no sangue, é naturalmente eliminado pela urina; quando a concentração baixa, a libertação de aldosterona vai aumentar a reabsorção de magnésio do filtrado renal e envia o magnésio de volta para o sangue.

A falta de magnésio, ou hipomagnesemia, pode dever-se a deficiente absorção intestinal, por processos como vómitos e diarreia, ou a outros factores, como o alcoolismo, a diabetes mellitus descompensada (a pessoa urina muito e perde magnésio pela urina, pois estão em desequilíbrio os processos de reabsorção renal), ou a utilização de medicamentos para aumentar a eliminação de líquidos através da urina, chamados diuréticos. A falta de magnésio pode desencadear fraqueza, irritabilidade, tetania ou cãibras, confusão mental, convulsões e alterações cardíacas (arritmias). A falta de magnésio prolongada leva a deficiente formação óssea e do crescimento, tendo também um efeito nefasto sobre o sistema imunitário ou de defesa.

O excesso de magnésio é raro, devido à regulação renal, mas pode aparecer nas pessoas com insuficiência renal ou na desidratação grave (perdas de líquidos corporais acima de 5%). As consequências podem ser a fraqueza ou paralisia muscular, hipotensão arterial, náuseas e alteração do funcionamento mental.

A alimentação é a única forma de fornecer magnésio ao corpo. Os alimentos ricos em magnésio são os produtos verdes, os cereais integrais, os frutos do mar, as frutas oleaginosas, como a noz, as leguminosas e as sementes. A água também contém magnésio, ainda que de mais difícil absorção que o doutros alimentos, e está dependente da região, pelo que é necessário ver o rótulo. Outro aspecto importante está relacionado com a riqueza do solo onde são produzidos os alimentos, pois solos pobres dão origem a alimentos pobres em magnésio — as produções industriais são limitadas neste mineral.

Um dos maiores inimigos do magnésio é o consumo de açúcar refinado ou açúcar branco, que, quando atinge concentrações elevadas no sangue e na célula, provoca acidez do meio, o que limita significativamente a acção reguladora do magnésio. O mesmo acontece com a maior parte dos adoçantes existentes no mercado. Será uma boa regra limitar a ingestão de açúcares ou optar por açúcares não refinados e mel, de forma muito controlada, ou habituarmo-nos ao açúcar natural dos alimentos, que é por si só suficiente para as nossas necessidades.

O magnésio é necessário para o desenvolvimento da criança e para a regulação de muitos parâmetros vitais, pelo efeito regulador de muitas enzimas. Uma gestão alimentar de qualidade vai permitir uma vida saudável.

Saúde!

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