Categorias
Consultório da Ria

O tétano

Por Carlos Lima (com AS e BV)

A vacinação é uma forma de prevenir um conjunto de doenças causadas por vírus e bactérias. A administração de vacinas vai permitir ao organismo entrar em contacto com partes do agente e produzir anticorpos. Estes anticorpos vão ficar activos e circulantes pelo corpo. Quando o agente causador de doença entrar em contacto com o corpo, é identificado, permitindo ao sistema imunitário [1] uma resposta muito mais rápida e eficaz.

O tétano é uma doença infecciosa, porque produz infecção, não contagiosa, porque não passa de pessoa para pessoa. É causada por uma bactéria, a Clostridium tetani, que se multiplica produzindo uma toxina, sendo a toxina a responsável pelos sintomas do tétano. Esta bactéria tem um período de incubação de três a 21 dias (o período de incubação é o tempo que decorre entre o momento da infecção e o momento em que se manifestam os primeiros sintomas).

A transmissão do tétano ocorre quando existe a entrada da bactéria em feridas abertas na pele. É um mito que esta bactéria apenas se transmite através de pregos enferrujados. A transmissão geralmente acontece quando o indivíduo se corta com objectos com terra, poeira, ferrugem e fezes, uma vez que estes são os ambientes de eleição da bactéria. Pode também ser transmitida pela mordedura de animais que estão em contacto com terra e fezes.

Devido a diversos factores, existem indivíduos que apresentam um maior risco de contrair o tétano, como os indivíduos não vacinados ou com o esquema vacinal em atraso; os diabéticos, que, devido a neuropatia diabética, têm uma diminuição da sensibilidade, o que faz com que não se apercebam de que têm uma ferida; os indivíduos com úlceras, queimaduras e recém-operados, porque têm um grande risco de infecção.

Como já falámos, a toxina produzida pela bactéria causadora do tétano causa sintomas, que são: espasmos e rigidez nos músculos da mandíbula; rigidez nos músculos do pescoço; dificuldade em engolir; rigidez nos músculos abdominais; espasmos corporais dolorosos, que podem durar vários minutos e que normalmente são desencadeados por estímulos como ruído, contacto físico ou luz. Como devem ter percebido, um sintoma muito comum no tétano são os espasmos musculares. Isto acontece, porque a toxina responsável pelos sintomas do tétano tem uma grande afinidade pelo sistema nervoso e, depois de entrar na corrente sanguínea, vai actuar nos centros nervosos, produzindo violentos espasmos, que podem levar à morte.

Desta forma, é importante fazer o tratamento do tétano, para impedir a evolução dos sintomas. O tratamento é realizado através da limpeza de feridas, quando estas existem; de repouso num ambiente tranquilo, para não existir a presença de estímulos que possam desencadear os espasmos; da administração da imunoglobulina antitetânica, também conhecida como soro anti-tetânico; da administração de antibióticos, impedindo a proliferação da bactéria; e da administração de relaxantes musculares e de sedativos.

Sendo assim, é muito importante a prevenção desta doença e a única forma de prevenção é a vacinação. A vacina contra o tétano faz parte do programa nacional de vacinação [2] e é administrada gratuitamente, segundo um esquema de três doses iniciais, seguidas de vacinação de dez em dez anos.

É importante relembrar que, na presença de feridas, é necessário ir ao centro de saúde, para avaliar se é uma ferida com o potencial de abrir a porta ao tétano e decidir o que fazer nesse caso, pois pode ser necessária a administração da vacina do tétano ou da imunoglobulina antitetânica.

Saúde!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *