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Consultório da Ria

O cloro

Por Carlos Lima

O cloro é um macromineral [1], presente no sangue [2] e nos espaços entre as células, ou espaço extracelular. Pela capacidade de entrar e sair da célula [3], regula o equilíbrio de líquidos entre os espaços intra e extracelular. No estômago [4], é segregado pela mucosa gástrica, como ácido clorídrico, e produz a acidez necessária para a digestão e para a activação de enzimas [5]. Ajuda na condução nervosa e na eliminação dos metabolitos do organismo, auxiliando o funcionamento do fígado [6].

Participa no equilíbrio ácido-base e na manutenção do pH sanguíneo entre os 7,35 e os 7,45. Um valor acima de 7,45 é considerado alcalose; um valor abaixo de 7,35 é considerado acidose; ambas as situações acarretam consequências graves para o organismo, podendo desvios relativamente pequenos levar à morte.

A regulação do cloro corporal é feita no rim [7], pela aldosterona, que, como já vimos, também regula o sódio [8], pelo que a reabsorção de sódio é acompanhada pelo cloro. Há que referir que ambos aparecem muitas vezes ligados, através do cloreto de sódio, e que o chamado soro fisiológico é, na sua essência água e cloreto de sódio, nas proporções que aparecem no plasma sanguíneo.

Não há uma dosagem pré-estabelecida para a ingestão de cloro, mas deve ser consumido diariamente. A diminuição de cloro no sangue, ou hipocloremia, faz com que o sangue ultrapasse o pH de 7,45 e deve-se: a vómitos persistentes, pois limitam a absorção de cloro; à desidratação, que leva a desequilíbrios dos líquidos corporais; e ao uso de diuréticos, que fazem perder cloro pela urina. As consequências podem ser a alcalose, espasmos musculares, depressão respiratória e coma.

O excesso de cloro, ou hipercloremia, deve-se muitas vezes a problemas renais e produz acidose metabólica, cefaleia, confusão mental e hiperventilação ou respiração rápida — porque, através da libertação do dióxido de carbono, o corpo tenta encontrar um equilíbrio (daí a pessoa com acidose ter um hálito característico).

O cloro é usado no tratamento da água [9], para eliminar os microrganismos presentes e equilibrar o pH, pelo que uma forma de ingestão é a água, mas também está presente no sal de cozinha (cloreto de sódio), na carne, no peixe, no marisco, no leite e nos ovos.

O cloro, na sua fórmula mais pura, é um gás muito tóxico e foi mesmo usado na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais para matar. Nos nossos dias, ainda que em baixas concentrações, cloro está presente na lixívia, como detergente, e no hipoclorito de sódio, como desinfectante, e em muitos outros produtos usados na indústria e no lazer, tais como as piscinas. Se não forem usadas as concentrações adequadas e as medidas de protecção preconizadas para trabalhar com este produto, torna-se tóxico e lesa a parte respiratória e a pele. Todos sabemos que o cabelo [10] fica áspero depois de um banho de piscina. A utilização nas sanitas, na presença de urina, liberta gases muito tóxicos, que podem desencadear a fibrose pulmonar. Em tempos, foi utilizado como anestésico, ao ser parte importante da composição do clorofórmio.

O cloro é fundamental à vida, tendo uma grande importância na distribuição e no equilíbrio dos líquidos corporais. Uma alimentação variada e equilibrada, mesmo que com pouco sal, é suficiente para manter o organismo em equilíbrio. A manipulação de produtos contendo cloro deve ser cuidadosa, pois ele é irritante da vias aéreas, dos olhos [11] e da pele.

Saúde!

2 comentários a “O cloro”

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