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Consultório da Ria

O selénio

Por Carlos Lima

O selénio é um micronutriente, ou seja, é necessário em pequenas quantidades diárias. Tem grande importância para o funcionamento dos organismos vivos e, naturalmente, dos seres humanos. Está presente nos alimentos de origem animal e vegetal, é absorvido no intestino [1] e armazenado no fígado [2] e no rim [3]. Tem como principal função a óptima utilização do oxigénio, por parte da célula.

Tem ação antioxidante, ao neutralizar os radicais lives, pois faz parte das chamadas selenioproteínas (peroxídase do glutatião), que actuam em conjunto com a vitamina E para proteger a membrana celular. Assim, actua atrasando o processo de envelhecimento e prevenindo doenças cardiovasculares.

Tem acção anticancerígena e antidegenerativa, porque se liga com facilidade aos metais pesados (mercúrio e cádmio), inactivando a sua acção tóxica, mesmo que estes mantenham níveis elevados no sangue, ajudando assim a prevenir o aparecimento de doenças, como o Alzheimer.

Interfere com a saúde do fígado, ajudando-o a neutralizar toxinas e a regenerar as células hepáticas danificadas.

Tem acção sobre o sistema imunitário [4], ajudando-o no combate às infecções, através da acção de enzimas e da participação em produtos anti-inflamatórios corporais.

Tem acção sobre o músculo cardíaco [5] e sobre o sistema muscular [6] e a sua ausência pode mesmo desencadear alterações cardíacas e degeneração muscular.

Em conjunto com o iodo e o zinco [7], integra a estrutura das hormonas da tiróide [8], nomeadamente a tiroxina e tri-iodotiroxina, pelo que se torna importante para a saúde dessa glândula.

Os alimentos ricos em selénio são as vísceras, o marisco, a carne, os cereais integrais, o feijão, os lacticínios, a fruta, os vegetais, as sementes de girassol secas e as sardinhas de conserva em molho de tomate. A dose diária recomendada varia 0,05 a 0,2 miligramas.

A falta de selénio caracteriza-se por dores musculares (mialgias), sensibilidade muscular, degeneração do fígado e do pâncreas, degradação geral e maior predisposição para o desenvolvimento de cancro.

O excesso de selénio é, regra geral, proveniente de águas ricas em selénio e pode resultar em fadiga muscular, queda de pêlos, em particular da cabeça [9] e do rosto, enfraquecimento das unhas [10] e aparecimento ou doenças de pele (dermatites).

A doença de Keshan deve o seu nome a Keshan, uma província da China. É assim conhecida porque, nesta região, os solos são muito pobres em selénio, o que tem por consequência a produção de alimentos pobres em selénio. A doença caracteriza-se por alterações cardíacas e ausência de selénio no sangue.

O selénio é um nutriente essencial, que está presente nos alimentos de origem animal e vegetal, tem uma acção antioxidante e evita a toxicidade dalguns metais pesados. Ajuda a retardar o aparecimento do envelhecimento e parece estar associado à prevenção do cancro. Em Portugal, basta uma alimentação equilibrada para que o seu fornecimento esteja garantido.

Saúde!

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