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Anotação Musical

O teu Natal

Por Nuno Rua

Chegou a época natalícia. Chegaram o subsídio de Natal, as prendas, as acções de solidariedade e a mesa farta. Parece que, em Dezembro, não existem inimigos e o pouco civismo é agora desculpado pelas boas causas. Até a economia precisa deste mês, sendo este o mais importante no ano comercial.

Queria só relembrar que o Natal não é o número de prendas que compramos, nem o dinheiro que gastamos nelas. O Natal não tem de ser vivido por grandes famílias e esquecido pelas pequenas. Temos de reinventar o Natal de cada um e afastar a ideia de que este dia é com muitas prendas e para grandes famílias.

A sociedade criou esta ideia e não se preocupou em abraçar os outros casos, as outras famílias, os outros orçamentos. O Natal foi o nascimento de Cristo e é todos os anos o nascimento de sentimentos pelos que mais amamos, sejam eles a família, a namorada ou os amigos. Embora o presépio seja caracterizado pelo filho e pelas figuras paternas, não deve ser levado à letra, tal como a Bíblia.

Pois bem, quero deixar-vos nesta crónica especial, uma música que pode dizer muito sobre a maneira como vivemos esta quadra: «The Pogues & Kirsty MacColl — The Fairytale of New York» [1]. Trata-se do desabafo dum alcoólico, que vive o sentimento natalício com a mulher que ama. Não é uma canção que nos fala de prendas, de neve, do pai e da mãe Natal, fala-nos do de alguém com problemas, que também tem o direito de viver esta época, como todos nós.

Que este Natal seja o nascimento de novas vontades e de novas esperanças, mas que seja também — sobretudo — o nascimento da outra dimensão, que vai para além do tempo e do espaço: o amor. Quero desejar um Santo Natal a todos os residentes e visitantes da «Rua da Constituição» [2]. Boas festas!

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