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Consultório da Ria

A inflamação

Por Carlos Lima

A inflamação é uma resposta das defesas do corpo perante a agressão, quer ela seja gerada por agentes externos, como vírus, bactérias, pólen ou temperaturas extremas [1, 2] e traumatismos, ou por processos internos, como reacções auto-imunes.

A inflamação aparece para delimitar o local da agressão, evitando que ela alastre ao resto do corpo, e também como uma forma de resolver o problema criado por essa agressão, ou seja, é uma resposta ao agente causador de doença, no local, para mais rapidamente recuperar o equilíbrio previamente existente.

A inflamação carateriza-se por quatro sinais: rubor, dor, calor e edema, podendo aparecer um quinto sinal, nalgumas situações, que é a perda de função da área afectada.

A resposta inflamatória inicia-se no momento da agressão, com o aumento da irrigação sanguínea ao local — tantas vezes retratada na expressão «parecia que o coração batia na ferida». Este processo é mediado pela histamina. Este aumento de sangue [3] faz com que a região fique mais avermelhada (rubor). Mais sangue também traz mais calor e, com isso, gera melhores condições para que os glóbulos brancos [4] cheguem ao local e se repliquem rapidamente. Para impedir o possível sangramento, quando existe, e para delimitar o mais possível a área, os líquidos que passam para fora da célula e saem do sangue para o espaço intercelular geram edema ou inchaço, comprimindo o local.

Os primeiros glóbulos brancos que chegam ao local tentam resolver o problema, mas, se não conseguem ou se morrem na tentativa, libertam substâncias químicas, que servem de alerta para o sistema imunitário [5] enviar mais glóbulos brancos para o local e para se iniciar o processo de multiplicação dos mesmos.

A dor deve-se ao facto dos danos causados pelos agentes agressores ou por algumas substâncias químicas libertadas atingirem as terminações nervosas e pela pressão que o edema gera sobre as mesmas. A dor vai no sentido da perda de função do local, para assim delimitar novos danos, ou seja, na maior parte das situações de agressão, o organismo produz analgésicos de alívio temporário da dor, para podermos afastar o agente agressor, ou afastarmo-nos dele; mas, depois, reaparece, para nos limitar as acções e delimitar os danos.

No caso duma agressão por um agente infeccioso, quando a inflamação não consegue controlar os danos, a situação evolui para infecção e dá-se o aparecimento de pus. O pus é uma acumulação de glóbulos brancos [2] vivos e mortos e um conjunto de resíduos de tecidos e agentes agressores. Como estes processos tendem a ser localizados, gera-se, por vezes, uma cápsula com este conteúdo, a que chamamos de abcesso.

As inflamações podem considerar-se agudas ou crónicas e os anti-inflamatórios são os medicamentos destinados a combater a inflamação.

A inflamação é um processo natural do corpo para delimitar os estragos produzidos por agentes internos e externos. O corpo humano possui anti-inflamatórios naturais, que ajudam a resolver o processo inflamatório, quando ele já não é necessário; no entanto, pode ser necessário ajudar o corpo a acelerar o processo, ou controlá-lo quando ele exagera na sua actuação — como no caso das doenças auto-imunes.

Saúde!

3 comentários a “A inflamação”

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