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Notas sobre o I Congresso Nacional dos Médicos de Saúde Pública

Por Gustavo Martins-Coelho


De vez em quando, apetece-me variar; e, então, começo pelo objecto do dia, em vez de o guardar para o fim. Hoje, são as cápsulas de café.

Na actualidade, são muitas as pessoas que tomam café de cápsula, seja Nespresso, Dolce Gusto ou outras marcas — passe a publicidade! A maioria destas cápsulas acaba em aterros sanitários, porque não são recicláveis nem biodegradáveis. Diz que a quantidade de cápsulas produzidas num único ano, se colocadas em fila umas a seguir às outras, dariam várias voltas ao globo terrestre. É necessário produzir cápsulas recicláveis, ou o meio ambiente não aguentará.

Claro que as cápsulas de café não são o único produto que dá prioridade à comodidade do consumidor em detrimento da protecção ambiental. Mas a lista de tais produtos deveria estar a encurtar, não a aumentar…

Fechado este intróito, quero hoje falar sobre o I Congresso Nacional dos Médicos de Saúde Pública [1], que teve lugar no Centro de Congressos de Aveiro, nos passados dias nove e dez, e no qual eu tive a grande honra e satisfação de participar, não só para ouvir os ilustres palestrantes que estiveram presentes, mas também como co-autor dum trabalho sobre a sazonalidade da gripe e como membro da comissão organizadora. Foi, para mim, uma enorme satisfação aprender com pessoas especializadas nos diversos assuntos tratados e um prazer enorme colaborar com pessoas tão diligentes na organização deste evento.

O programa do congresso girou em torno do tema geral: «O papel do médico de saúde pública no século XXI» e estruturou-se segundo quatro das dez operações essenciais de saúde pública definidas pela Organização Mundial da Saúde [1]: vigilância da saúde e do bem-estar da população; monitorização e resposta a perigos ambientais e emergências; governança para a saúde e o bem-estar; e estrutura organizacional e financiamento sustentáveis.

Cada sessão plenária tratou uma destas operações essenciais. Na primeira, foi destacado o papel dos planos locais de saúde como ferramentas para a implementação do Plano Nacional de Saúde; e foi apresentado o exemplo do Centro de Epidemiologia Hospitalar do Centro Hospitalar Universitário de São João no apoio à resposta a necessidades actuais e futuras de melhoria da prestação de cuidados de saúde. Na segunda, foi discutido o impacto das alterações climáticas na saúde pública, devido não só ao aumento da temperatura média, mas também da sua variância, com a ocorrência de temperaturas extremas, e a alteração do padrão de distribuição dos animais que servem de vectores de transmissão de doenças. Na terceira, foram salientados aspectos como a importância do uso responsável de medicamentos, como modo de optimizar os recursos cada vez mais escassos perante o envelhecimento da população, a importância da arquitectura urbana e residencial para a saúde, incluindo a saúde mental, e ainda a importância dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável para a acção das autarquias. Finalmente, na última sessão plenária, foi explicitado o que os médicos de saúde pública esperam da contratualização e salientada a desadequação de uma contratualização anual, visto que, em saúde pública, são centrais os ganhos em saúde a médio e longo prazo.

Houve ainda tempo para a apresentação dum projecto de investigação sobre a vacina antipneumocócica, a realizar em colaboração com a Pfizer Vaccines, e para a reunião dos grupos de trabalho da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública [2] nas áreas da Vacinação, Sistemas de Informação em Saúde Pública, Contratualização em Saúde Pública, Organização de Serviços de Saúde Pública e Controlo e Prevenção de Tabagismo.

O Congresso contou ainda com a presenta de ilustres personalidades nas sessões de abertura e de encerramento, nomeadamente o Vereador da Saúde da Câmara Municipal de Aveiro, a Directora-Geral da Saúde, o Bastonário da Ordem dos Médicos e o Secretário de Estado da Saúde.

Mais haveria para dizer, mas o tempo escasseia e, por isso, termino com o meu enorme agradecimento à Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública [2], que tornou possível esta reunião, e deixo os meus votos de que esta iniciativa tenha continuidade por muitos e bons anos!

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