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Perspectivas em Saúde

Quem, quando e onde usar a máscara

Por Gustavo Martins-Coelho



Olá!

Hoje, vou falar sobre máscaras para protecção no âmbito da COVID-19.

Em primeiro lugar, tipos de máscaras. Há três tipos de máscaras: as chamadas FFP, do Inglês filtering face piece, que filtram até 99% das partículas; as máscaras cirúrgicas, que filtram 70% das partículas; e as máscaras comunitárias, de diferentes materiais têxteis, que filtram 30–40% das partículas [1, 2].

Em segundo lugar, função das máscaras. As máscaras, sobretudo as cirúrgicas e as comunitárias, servem principalmente para proteger o outro de nós e só acessoriamente para nos proteger do outro. Portanto, eu só estou protegido se os outros usarem máscara; a protecção dos outros é minha responsabilidade [3]. Nunca a expressão «temos de ser uns para os outros» foi tão verdadeira… Mas, acima de tudo, as máscaras servem de complemento e não de substituto ao resto das medidas preventivas, como seja lavar as mãos, tossir ou espirrar para o braço e manter o distanciamento social. Aliás, estas medidas, tão simples, protegem tanto ou mais do que uma máscara [2].

Em terceiro lugar, quem, quando e onde usar a máscara.

Começando pode onde ela é mais precisa, todos os trabalhadores nos hospitais ou centros de saúde, incluindo profissionais externos de manutenção, limpeza e alimentação, devem usar máscara cirúrgica no dia-a-dia e outros tipos de máscara, nomeadamente FFP2, quando forem fazer certos procedimentos com maior risco; e também devem usar máscara todos os doentes, com ou sem sintomas respiratórios ou febre; máscara essa que lhes deve ser fornecida à entrada. Basicamente, todas as pessoas no interior de instituições de saúde devem usar máscara [1].

Fora dos hospitais e centros de saúde, os bombeiros também devem usar máscara cirúrgica enquanto transportam pessoas para instituições de saúde; os profissionais e voluntários dos lares também devem usar máscara no contacto directo com os residentes e quando tratam da roupa das camas, da limpeza, da lavandaria e da manutenção do ar condicionado; as pessoas que trabalham no acolhimento e apoio aos sem-abrigo também devem usar máscara no contacto directo com pessoas sem-abrigo; e os profissionais que trabalham no manuseamento de cadáveres também devem usar máscara cirúrgica [4].

Qualquer pessoa doente com sintomas de infecção respiratória (nomeadamente, febre, tosse ou dificuldade respiratória) deve também usar máscara cirúrgica, sempre que esteja em contacto com outras pessoas [4].

Passando agora aos doentes que ficam em isolamento em casa, não precisam de estar com máscara, quando estão a dormir ou quando estão dentro do quarto, com a porta fechada, mas devem usá-la sempre que se deslocarem dentro de casa e quando usarem espaços comuns aos restantes familiares, como as casas-de-banho. Já os familiares que lhe vão prestar cuidados, fazer a cama de lavado, limpar o quarto, etc. devem usar máscara cirúrgica, luvas e roupa específica [1].

De igual modo, os doentes imunossuprimidos, sempre que saiam de casa, devem utilizar máscara cirúrgica. Estou a falar de doentes em hemodiálise, doentes oncológicos a fazer quimio- ou radioterapia, pessoas com imunodeficiências, doentes a fazer medicação biológica, entre outros [4]. Além destes, também os idosos com mais de 65 anos e as pessoas com doenças crónicas devem usar máscara cirúrgica, sempre que saiam de casa [3].

Agora que já tratámos das situações prioritárias, falemos doutras situações do dia-a-dia.

Primeiro, os trabalhadores que fazem atendimento ao público: só necessitam de usar máscara cirúrgica, se não tiverem barreira protectora entre si e os clientes e se não for possível manter uma distância de um metro durante o atendimento [1].

Os guardas prisionais e restantes forças militares e de segurança que contactam com reclusos a menos de dois metros, bem como os agentes que fiscalizam os condutores e veículos; os profissionais da alfândega nos portos e aeroportos que fazem a fiscalização de passageiros; os trabalhadores e voluntários que distribuem alimentos, medicamentos ou outros bens essenciais ao domicílio das pessoas que não se podem deslocar; os trabalhadores da limpeza de ruas e da recolha de resíduos urbanos — todos eles devem usar máscara cirúrgica durante essas actividades [4].

As máscaras comunitárias devem ser utilizadas por qualquer pessoa em espaços interiores fechados de acesso público, como sejam supermercados, farmácias, lojas e centros comerciais, transportes públicos, etc. [3].

Nas restantes situações, não é estritamente necessário o uso de máscara [3]; o que não invalida que quem assim preferir o possa fazer e, acima de tudo, não invalida que o distanciamento social, a etiqueta respiratória, a higiene das mãos e a utilização de barreiras físicas sejam as palavras de ordem em todas as situações.

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